Manual do Escoteiro Mirim, está de volta

Como este ano nós temos mais uma Bienal do livro de São Paulo, nada mais justo do que trazer boas dicas para melhorar e ampliar a sua biblioteca, ontem me deparei com uma nota especial.

A Abril Jovem vai relançar A Biblioteca do Escoteiro Mirim, seu primeiro lançamento foi em 1971, depois relançado na década de oitenta, ela servia como um manual com várias dicas úteis para a vida, além do aprendizado do escotismo ele traz dicas diversas.

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Na época ele foi lançado com 20 volumes onde cada personagem da Disney agia como um professor e ensinava coisas importantes para os jovens em formação, tínhamos o Tio Patinhas dá dicas sobre economias caseiras, a família do Donald truques sobre escotismo entre outros personagens clássicos do mundo da Disney.

Essa última sendo os mais famosos de todos, pois trazia dicas de sobrevivência no campo, você aprendia como fazer uma fogueira, como identificar uma cobra venenosa [coisa não muito recomendada]. Dicas para tirar manchas de roupas como: Ferrugem se tira com água morna e limão.

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Na época a coleção era algo bem diferente do que circulava pelas bancas de jornais e até mesmo nas livrarias, todas as edições eram de capa dura, com mais de 250 páginas e um papel com gramatura superior, o que dava um tom de credibilidade e fez com que alguns exemplares estejam até hoje em circulação.

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Se você pesquisar bem pelos Sebos pode encontrar os livros por volta de 30 reais ou a coleção completa por nada menos do que 400 reais. Não sei como vai ser essa nova edição já que seu público alvo está cada vez mais distante dos livros e mais perto da internet.

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Que criança hoje tem a curiosidade de saber como se faz uma fogueira?

Eu tive apenas um exemplar desta coleção [colecionar sempre foi o Hobby caro], não me lembro qual, mas lembro que ele infelizmente se perdeu em uma das arrumações da minha família, na época esse desejo de guardar coisas era só meu e como criança é o último a dar a palavra acabei me separando do meu livro.

O malditovivant volta na sexta com cinema!

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Não pode faltar na sua Estante [Arte]: O Cubismo – Uma Revolução Estética: Nascimento e Expansão

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Finalmente chega ao Brasil pela editora Estação Liberdade o livro do Curador francês, Serge Fauchereau: “O Cubismo uma revolução estética”, livro que desvenda todo o movimento artístico de uma geração. Serge coloca o movimento Cubista como o mais importante do século 20, por romper com todas as amarras estéticas de uma época.

Os Cubistas eram Anti-Românticos, não queriam falar de amor ou mesmo da guerra, esses artistas queriam desconstruir tudo a sua volta, para depois reconstruir e dar uma nova significância. O Curador também coloca em contexto, como as novas correntes de pensamento e as descobertas no campo da Filosofia e da Psicologia auxiliaram e embasaram esses novos artistas.

Freud estava em plena evidência em com suas descobertas no estudo da mente humana, sem contar com as mudanças na cidade. A mentalidade humana e o tempo estavam sendo questionados, pois as cidades estavam crescendo e o modo de viver estava mudando.

Cézanne

Cézanne

Na parte técnica da arte, Cézanne já questionava a ideia de perspectiva. Um dos elementos importantes para a construção da técnica do cubismo.

Fauchereau coloca o Cubismo como uma arte que buscava a gosto popular, como “parecia” ser pouco regido por normas e rigor e flertar com assuntos populares e descontruir as coisas por vezes de uma maneira bem engraçada. Mas muitos colocam o Cubismo como uma arte mais voltada ao intelectual.

Picasso

Picasso

Entre outros casos, o autor mostra a participação das mulheres dentro do universo Cubista, passando pela Rússia e indo até o Brasil onde Anitta Malfatti, flertou com o movimento.

Se você gosta de Arte ou que apenas se interessa pelo movimento não pode deixar este livro de fora da prateleira.

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O Cubismo – Uma Revolução Estética: Nascimento e Expansão

Autor: Serge Fauchereau

Editora: Estação Liberdade

Tradução: Marcela Vieira e Julia Vidile

Páginas: 254

Valor: 138 reais em média

História do Olho [Georges Betaille]

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No começo do ano, cai na tentação de comprar alguns livros da Cosac Naify. Na ocasião a editora estava lançando uma nova linha de livros [Prosa do Mundo] composta por alguns dos clássicos de seu catálogo só que em edições econômicas.

Mas como assim a Cosac Naify tem uma edição econômica?

Sim, mas fica longe de ser uma coisa que parece mais barata, ainda temos o papel de extrema qualidade, capa dura e marca página. A edição apenas diminuiu de tamanho e deixa de ter a Luva [que as vezes é um baita de um incômodo].

Capa genial

Capa genial

Nessa compra acabei levando pra casa: História do Olho escrito por Georges Bataille, sobre o pseudônimo de Lord Auch em 1928. No Livro temos como personagens centrais dois adolescentes. O Narrador [personagem desconhecido] e Simone, o primeiro encontro dos dois amigos se dá em uma praia Francesa.

Depois do primeiro contato os dois se tornam cumplices em tentam redescobrir o mundo com ajuda da sexualidade. No meio de toda essa descoberta o casal de amigos [enamorados] pervertem outras pessoas, entre elas a desequilibrada Marcelle. No meio do caminho também se unem ao Senhor Edmund [uma clara referência ao conde de Monte Cristo] um Voyeur que dá mais asas a Simone.

Georges Betaille é um excelente mestre quando o assunto é usar as palavras, dentro deste livro ele trabalha com duas metáforas o Olho [ovos, bunda, Lua, testículos] e Líquidos [urina, sangue, sêmen, lagrimas]. Elas são usadas como link para um passado longínquo do escritor, onde seu pai adoeceu de Sífilis e ficou preso em uma cadeira de rodas por um longo período de sua vida.

Este ensaio cheio de “crueza” e escapismo das convenções morais da época serviu de base para os trabalhos que vieram a seguir em toda vida. Betaille é versado em antropologia e filosofia, mas sempre tentou desvendar e desmistificar os tabus sexuais por meio da sua escrita e nem que para isso tenha que romper com o sagrado.

Betaille acredita que o erotismo é parte fundamental do que nós somos. E não existe razão para termos medo do nosso corpo e de nossa sexualidade.

Se tiver coragem leia História do olho, mas abra bem os olhos para os jogos de palavras e figuras de linguagem.

O vento tinha abrandado um pouco, parte do céu estava coberto de estrelas; pensei que, sendo a morte a única saída para minha ereção, uma vez mortos Simone e eu, o universo da nossa visão pessoal seria substituído por estrelas puras, realizando a frio o que me parecia ser o fim da minha devassidão, uma incandescência geométrica (coincidência, entre outras, da vida e da morte, do ser e do nada) e perfeitamente Fulgurante.

O malditovivant retorna.

Uma continuação do Clube da Luta [Fight Club]

A dezenove anos atrás [1996] um escritor desconhecido, chamado Chuck Palahniuk lançava seu primeiro trabalho, o Clube da Luta. O livro fez um enorme sucesso, mas Chuck não sabia o que aconteceria ao seu trabalho três anos depois.

Com os direitos do livro sobre o comando da FOX, seu livro foi parar na tela grande pela mãos do diretor David Fincher. O filme não ganhou um Oscar de melhor ator [ só uma indicação para melhor efeito especial], mas o filme se tornou cultuado e reverenciado por diversas pessoas.

Nos meados de 2012 o livro chegou ao Brasil, pelas “prensas” da editora Leya. E foi um sucesso de venda.

Agora Chuck prometeu para o segundo semestre de 2015 o lançamento da continuação de Clube da Luta, onde a história se passa dez anos após o inicio do projeto Mayhem. Jack tem uma vida aparentemente tranquila ao lado de Marla, eles têm um filho e vivem como qualquer casal suburbano dos Estados Unidos.

A capa ficou linda

A capa ficou linda

Mas Jack controla seu mundo graças à ajuda de pílulas e de sua esposa, mas isso vai durar pouco tempo. Pois certos Fantasmas do passado vivem a espreita, esperando a hora certa de se manifestar.

Para dar asas a essa nova história do Clube da Luta 2 o escritor preferiu mostrar sua visão por uma outra arte, agora não teremos um livro e sim uma revista em quadrinho. Para a ilustração ele convocou o conceituado David Mack e Grant Wood.

Além disso, o Chuck resolveu amplificar mais o alcance de sua loucura, e pretende com auxílio de David Fischer [diretor do filme] um musical sobre o primeiro livro, mas seguindo um padrão diferente do que é feito hoje em dia. Em vez de apenas uma montagem do musical, ele pretende espalhar várias montagens ao redor dos Estados Unidos.

Uma vida Normal?

Uma vida Normal?

Parece que Chuck está sofrendo a influência de Tyler Durder.

Para mim basta apenas um filme e um livro, não sinto a necessidade de uma continuação para aquela história. Mas veremos o que acontece nas próximas cenas.

Eu volto na quarta.

Repost do Livro [A humilhação]

Resolvi repostar por conta do lançamento do filme que na semana que vem ganha resenha aqui no malditovivant.net

 

“Todos são talentosos. Difícil é ter coragem de seguir pelo caminho sombrio através do qual o talento guia”. Erica Jong

 

Meu escritor favorito...[vivo]

 

Philip Roth é um dos maiores escritores vivos da atualidade, mas seu último romance “A humilhação“, não foi bem aceito pela crítica, por novamente retratar a velhice e os dilemas do tempo, mas como EU sempre digo: “Os críticos são homens q não tiveram a coragem de tentar, pois ficaram apenas sentados para julgar”.

Comprei o livro na sua pré-estréia, mas só consegui começar a ler no inicio do mês passado, não por falta de vontade ou dificuldade, apenas por falta de tempo. Assim que peguei o livro pra ler, eu consegui terminar ele em uma tarde, tarde essa divertida e acompanhada de um bom vinho.

O livro conta a história de Simon Axler, um ator de teatro de sucesso, que sempre encenou personagens principais, em uma certa noite Axler é afetado pelo branco da cena. Ele esquece a fala e ao tentar improvisar o momento falha. Está falha é apenas o caminho para a sua queda.

Depois desta pequena falha o ator se sente uma farsa [quem nunca se sentiu um farsante?], e começa a se recordar de outras vezes que foi salvo pelo seu improviso. O choque da queda é tão grande que ele fica sem falar dentro de casa. Sua mulher não consegue acreditar que aquele homem, exemplo de fortaleza esteja nesse estado.

Ela então decide internar o marido para recuperação, nos 15 dias que fica na clinica ele conhece Sybil uma jovem dona de casa que ficou internada depois de descobrir que seu amado marido abusa da filha mais nova, Axler escuta o que ela tem a dizer e assim nasce uma amizade.

Saindo da clinica a vida de Axler muda, sua esposa pede divorcio e ele vai morar em sua fazenda a quilômetros da civilização. Neste momento Pagee entra em sua vida. Ela filha dos seus melhores amigos, uma garota que viu nascer, Pagee é lésbica. Nunca teve um homem.

Axler a seduz e com o tempo que passam juntos a vida de Axler e Pagee melhoram, ela muda de visual, começa a usar roupas mais femininas, roupas compradas por Axler [Sua fantasia secreta]. Axler começa a buscar ajuda para seus problemas, ele quer voltar a atuar.

Mas como em todo o livro de Routh a felicidade é apenas um estado passageiro, os problemas aparecem, um ex caso de Pagee aparece, além disso seus pais não aceitam o relacionamento, apensar de Pagee já ter seus 40 e Axler beirar os 60.

 

Quem realmente somos?

 

Algumas reviravoltas e um Q de erotismo entram em cena neste livro de Roth.

Como disse no inicio do Post o livro não foi aceito pela crítica, mas Hollywood já abriu os braços para o escritor, o ator Al Pacino, comprou os direitos do livro que em breve vai virar filme.

Se tiver vontade de uma leitura mais ousada busque este livro na sua livraria favorita.