O que esperar do Primeiro Semestre nos Cinemas?

Todo o ano a indústria do cinema se prepara para surpreender o público e tentar atrair mais pessoas para a tela grande, mesmo com a concorrência da pirataria e do serviço de Streaming o cinema em 2015 atraiu mais pessoas do que em 2014.

Escolhi alguns filmes que estou aguardando ansiosamente a estreia.

Não incluí O Regresso na Lista pois ele vai estrear na próxima semana.

Fevereiro

Boneco do Mal

THE BOY

Sinopse: Greta [Lauren Cohan] é uma jovem americana que aceita um trabalho como babá em uma pequena vila inglesa. Porém, o garoto de 8 anos de quem ela tem que cuidar é, na verdade, um boneco de quem o casal cuida como se fosse um menino de verdade, como uma forma de lidarem com a morte do filho, ocorrida 20 anos antes. Após violar uma lista de regras do garoto, uma série de eventos inexplicáveis transformam a vida dela em um pesadelo.

O Quarto de Jack

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Sinopse: Uma história moderna sobre o amor sem limites entre mãe e filho. O pequeno Jack [Jacob Tremblay], de cinco anos, não conhece nada do mundo, exceto o quarto em que nasceu e cresceu acompanhado apenas por Ma [a excelente Brie Larson].

Boa Noite Mãe

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Sinopse: Uma família vive em uma residência isolada em meio a árvores e plantações de milho. Após dias afastada por conta de cirurgias plásticas, a mãe [Susanne Wuest] volta para casa e não é reconhecida pelos filhos gêmeos. As crianças, de nove anos, duvidam que a mulher de rosto coberto seja realmente sua mãe e a partir de então nada será como antes.

Pressagio de um Crime

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Sinopse: Um detetive do FBI está à caça de um perigoso serial killer, que vive fazendo jogos com suas vítimas. Para capturá-lo ele busca a ajuda de um médico aposentado, Dr. John Clancy [Anthony Hopkins], especialista em jogos do tipo, mas que se afastou do trabalho após a morte traumática de sua filha. Porém, Clancy muda de ideia ao conhecer a cética parceira de Joe, a agente especial Katherine Cowles [Abbie Cornish], e ter visões pertubadoras com ela.

Março

Floresta Maldita

(L to R) Yukiyoshi Ozawa as Michi, Taylor Kinney as Aiden and Natalie Dormer as Sara Price in Jason Zada’s THE FOREST, a Gramercy Pictures release. Credit : James Dittiger / Gramercy Pictures

Sinopse: Sara tem uma irmã gêmea e está preocupada com o seu desaparecimento misterioso. O maior receio dela é que a irmã tenha ido para a floresta de Aokigahara, no Japão, mais conhecida como a floresta dos suicidas. Apesar de todos a alertarem para não ir, ela entra na floresta, repleta de horrores inexplicáveis, determinada a descobrir a verdade sobre o destino de sua irmã.

A Bruxa

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Sinopse: Nova Inglaterra, década de 1630. William e Katherine levam uma vida cristã com suas cinco crianças, morando á beira de um deserto intransitável. Quando o filho recém nascido dela desaparece e colheita falha, a família se transforma em outra. Por trás de seus piores medos, um mal sobrenatural se esconde no bosque ao lado.

La French

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Sinopse: Transferido para Marselha, o magistrado Pierre Michel [Jean Dujardin] logo descobre que seu maior desafio será desmembrar uma articulada quadrilha de traficantes de heroína que domina a cidade. Acabar com a French Connection torna-se sua obsessão e Michel dedica anos de sua vida – e um bocado de sua sanidade – à missão, acompanhando de perto os passos de Gartan Zampa [Gilles Lellouche], inalcançável chefe do bando.

Junho

Invocação do Mal 2

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Sinopse: Sete anos após os eventos de Invocação do Mal [2013], Lorraine [Vera Farmiga] e Ed Warren [Patrick Wilson] desembarcam na Inglaterra para ajudar uma família atormentada por uma manifestação poltergeist na filha. A trama é baseada no caso Enfield Poltergeist, registrado no final da década de 1970

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Winslet e Fassbender mostram um Steve Jobs diferente [Steve Jobs 2016]

Dos três filmes que anunciei no Post passado Steve Jobs [2016] foi o que mais me agradou, não por conta da idolatria que existe sobre o mito Steve Jobs. Mas como o personagem é desmembrado para mostrar a sua fragilidade “pessoal’ ao mesmo tempo que o diretor mostra toda a força que move o mito.

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Aaron Sorkin, assina o roteiro do filme dirigido por Danny Boyle, a parceria dos dois ajudou a tirar a peso de uma biografia e criou uma película excelente usando e abusando do clássico das tragédias Gregas, onde o personagem central é apresentado sofre diversos fracassos, mas mesmo assim persiste e sua persistência e talento o leva a redenção.

Diferente do fracasso do filme anterior que tem como ator principal Ashton Kutcher [Mas quem disso que Kutcher é um bom ator?], esse filme percorre os principais feitos do genial Steve Jobs: MAC, NEXT e iMac [e a motivação que o levou a criar do IPOD].

Dentro destes três atos, sempre temos os mesmos personagens que assim como satélites, são atraídos pelo magnetismo de Steve Jobs [nem sempre pela maneira mais positiva]. Steve Wozniak [Seth Rogen], John Sculley [Jeff Daniels], Lisa [interpretada por três atrizes diferentes] e Joanna Hoffman [Kate Winslet que merecer mais Oscar] que tenta a todo custo apaziguar o Ego e manter a genialidade de Jobs sobre controle.

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Esses personagens que ao decorrer do tempo se encontram com Jobs. Mostrando a sua fragilidade, não que isso seja negativo, apenas coloca em evidência seu lado mais humano e que serve para nos aproximar do personagem central.

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A escolha da dupla central do filme não poderia ser mais acertada, temos um excelente Michael Fassbender que apesar de não ter as feições de Jobs acerta na atuação poderosa, alternando entre resignado e orgulhoso. Na outra ponta temos Kate Winslet acerta na mão como a personagem que tenta controlar Jobs e mostra como ela precisa dele, apesar de sua genialidade. Seu personagem envelhece bem e por vezes se mostra como uma mãe do personagem.

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A paternidade também é um dos temas centrais do Filme. Jobs foi abandonado na maternidade, e depois recusado algumas vezes na fila da adoção. Ligado a ele temos sua filha Lisa, no qual Jobs não consegue ser um pai. Mas Jobs enxerga em John Sculley como seu pai adotivo, o homem que o ajudou a criar seu império, mas que acabou o “traindo”. Wozniak melhor amigo de Jobs briga para que ele admita o sucesso do MAC2, assim como um filho que busca o reconhecimento do Pai.

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Ainda preciso ver o Regresso, mas eu daria o Oscar de melhor ator para Michael Fassbender e de melhor filme para Steve Jobs. Mas vamos aguardar o filme estrear nos cinemas, amanhã voltamos com mais um lançamento.

 

Olhos da Justiça

Estréia nesta quinta nos cinemas brasileiros, a refilmagem do clássico Argentino: O Segredo dos seus Olhos [2009], essa nova versão vem com o nome de Olhos da Justiça e tem como produtor executivo o diretor do longa original, Juan José Campanella.

Quem fica a cargo da direção desta nova versão é o Bill Ray, famoso por roteirizar o primeiro filme da saga Jogos Vorazes. Como diretor sua experiência é muito pequena, tendo apenas outros dois filmes em seu currículo.

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Nesta nova versão temos um triangulo central, o amor perdido e a obsessão para desvendar um crime que liga os três personagens.

O talentoso Chiwetel Ejiofor, interpreta Ray ex-agente do FBI que volta 13 anos depois ao seu escritório para convencer a Claire [a ainda estonteante Nicole Kidman] a reabrir um antigo caso.

Este caso tem um lado pessoal. Sua ex-parceira, Jess [Julia Roberts] tem sua filha assassinada ao lado de uma mesquita que eles estavam investigando, por supostas relações com terroristas [a velha paranoia de 11 de Setembro].

Kidman continua linda

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Reabrir o caso é voltar a um passado doloroso.

Ray precisa do apoio de Claire para isso, agora ela é uma das diretoras do FBI, mas a tensão sexual entre os dois continua presente, mesmo depois de 15 anos existe a dúvida de como seria a vida se com esse romance.

Ao mesmo tempo que vemos essa paixão renascer, Ray se mostra cada vez mais obcecado com o caso. Ray tenta entregar a justiça para Jess, mas se esquece de como isso pode ser doloroso para sua ex-parceira.

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Um pouco diferente do original Argentino, a ditadura dá lugar ao drama das torres Gêmeas [o Assassino da filha de Jess, é um informante, assim como no filme original].

Nesta nova versão, continuamos a encontrar várias camadas dentro do roteiro, o Assassinato [Drama] e a paixão perdida [Romance]. Mas essa versão acaba perdendo o alívio cômico, que tirava um pouco da do peso do filme.

Mesmo com esses bons acertos, o final escolhido perde um pouco a sua sutileza, mostrando uma superioridade da versão original, mas mesmo assim o filme merece ser visto, mas com a certeza de que o Oscar não virá.

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Malditovivant volta na sexta!

Flaubert e o Drama do Padeiro Martin [Gemma Bovery]

Entra em circuito nacional o filme Gemma Bovery [um dos mais vistos no Festival Varilux de Cinema] com direção segura da francesa Anna Fontaine, o filme é uma adaptação de uma Graphic Novel [quadrinhos] da britânica Posy Simmonds.

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Ela é famosa por escrever outra Graphic Novel que também esteve no cinema: Tamara Drewe, que por coincidência também tem a bela Gemma Artenton como atriz principal [e peça chave do desejo].

O roteiro se afirma com base em ligeiras coincidências, Flaubert cria em seu Madame Bovary, um romance baseado no cotidiano da época, onde o tédio matrimonial, o adultério e a morte são comuns, Simmonds recria esse enredo nos dias atuais, com ajuda de um personagem central, o aposentado e agora padeiro Martin [o competente Fabrice Luchini].

Paixão por Flaubert

Paixão por Flaubert

Martin se sente entediado na pequena cidade francesa, mas tudo muda com a chegada do casal Gemma [A bela Gemma Artenton] e Charlie [o insosso Jason Flemyng], Martin enxerga nos dois a personificação do casal da trama de Flaubert e não é apenas a semelhança do nome, mas na atitude dos dois.

Martin acaba se apaixonando por Gemma, só que platonicamente. Com isso o padeiro se coloca como uma espécie de leitor, que narra os fatos e imagina as cenas. O que dá o tom divertido ao filme.

Por mais que os personagens ressoem Flaubert. Martin é a personificação da essência do livro, pois busca por meio da ilusão escapar do tédio de sua vida e do seu casamento de longa data.

Martin como o melhor leitor, imagine e vive a cena

Martin como o melhor leitor, imagine e vive a cena

Porém apesar de tantos acertos o filme acaba perdendo o folego nos minutos finais. Deixando a obsessão da autora e diretora por Flaubert estragarem o seu final.

Mesmo assim Gemma Bovery é um filme que merece ser visto.