A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell

Por Katia Soze

Baseado na animação de 1995, chamada por aqui de “O Fantasma do Futuro”, o filme se passa no ano de 2029 e conta a história de Major (Scarlett Johansson), a primeira ciborgue aperfeiçoada com cérebro humano que foi criada para combater crimes cibernéticos e perigosos vilões. A trama é adaptada de um mangá de 1989 e foi inspirada por obras clássicas como “Blade Runner” (1982), além de ter inspirado outras, como “Matrix” (1999).

A produção sofreu alguns protestos pelas redes sociais pela escalação de uma estrela americana para o papel principal, que na animação original é de uma japonesa. No entanto, é compreensível a escolha de Scarlet Johansson, considerando que o filme é uma adaptação de Hollywood e a intenção era fazer um blockbuster que pudesse atrair o máximo de pessoas ao redor do mundo. E, convém dizer, que sua interpretação no papel principal está excelente, assim como todo o elenco de apoio.

Visual de primeira

Dirigido por Rupert Sanders (de “Branca de Neve e o Caçador”), “A Vigilante do Amanhã” se diferencia bastante da proposta da animação original. Enquanto o primeiro filme era muito mais complexo e deixava várias questões filosóficas em aberto para que o espectador pudesse refletir, essa nova versão foca muito mais no passado de Major e no seu dilema interior para descobrir qual o seu propósito no mundo. Será que ser explorada como uma arma pelo governo é maneira mais correta de usar suas habilidades?

Sendo assim, apesar de um roteiro um tanto previsível, que vai parecer genérico para algumas pessoas, o filme compensa com o carisma dos personagens e principalmente pelo visual impressionante, que cria um universo futurista cheio de tecnologia. Com boas sequências de ação, o longa explora um tema muito relevante para a nossa sociedade atual, que é o roubo de informações sigilosas por meio de hackers e terroristas cibernéticos. É assim que o vilão Kuze (Michael Pitt) tenta seduzir Major para se voltar contra seus criadores.

Concluindo, considerando sua proposta de ser um blockbuster divertido e abrangente para as massas, “A Vigilante do Amanhã” cumpre o que promete e se for bem de bilheteria pode indicar o começo de uma nova franquia para a Paramount nos cinemas.

Certamente algumas pessoas vão esperar um pouco mais de profundidade e reflexão como a obra original, mas repito, esse nunca foi o objetivo deste live action, precisamos entender os filmes pela proposta que eles querem passar. Uma boa opção para quem procura uma trama de sci-fi repleta de ação, com um visual incrível.

Bryan Craston volta em grande estilo com Conexão Escobar

Estreia hoje o filme Conexão Escobar, dirigido por Brad Furman. O Filme entra em cartaz em uma hora bem propícia, estamos a todo momento relembrando a figura mítica de Pablo Escobar, seja por meio de seriados [Narcos], documentários [os vários do History Chanel] ou mesmo pela literatura [O filho do Escobar lançou recentemente um livro sobre seu pai]. Nessa esteira temos Conexão Escobar, que cai com força nesse mercado em potencial e mostra um pouco mais do mundo do traficante.

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Bryan Craston faz o papel do agente Robert Mazur [Personagem real], para isso ele assume a alcunha de Bob Mussela, um empresário com boas conexões e que começa a lavar dinheiro do tráfico de drogas, aos poucos ele vai conquistando a confiança das pessoas a sua volta, até chegar perto de um do braço direito de Escobar, Roberto Alcaino [o excelente Benjamin Brett].

No meio da operação Mazur acaba negligenciando a vida pessoal, não sabemos ao certo se existe uma obsessão em capturar Escobar ou Mazur cansou da sua vida real. No meio da operação Mazur acaba errando por diversas vezes, isso o coloca seu trabalho em risco, o que o aproxima da agente Kathy Ertz [a bela Diane Kruger] que é obrigada a se infiltrar na operação e agir como sua esposa.

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A bela Diane Kruger

Conexão Escobar é baseado nas memórias de Robert Mazur, que anos antes lançou um livro The Infiltrator [sem previsão de sair no Brasil]. Um dos trunfos do filme é mostrar a fragilidade de Mazur, ao se infiltrar no meio ele acaba criando vínculos com as pessoas do tráfico. Mazur percebe que o outro lado também é feito por pessoas comuns.

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Outro fator assertivo do filme é seu elenco, temos boas atuações tanto dos atores principais como dos coadjuvantes, a caracterização da década de 80 é bem feita. Porém o filme as vezes acontece muito rápido, sem um momento de paz para o espectador absorver tudo a sua volta.

Mas entre erros e acertos Conexão Escobar é um dos melhores filmes da semana e merece ser visto.

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Kate Winslet em A Vingança Está na Moda!

Chega aos cinemas nesta quinta-feira, o filme A Vingança Está na Moda, película baseada no livro de Rosalie Ham [The Dressmaker] lançando em 2000 e agora publicado no Brasil pela HarperCollins.

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O filme segue fielmente a história do livro, como tive a sorte de ver um filme algumas semanas antes, consegui ler o livro em tempo hábil para escrever sobre os dois. Então aguarde em breve uma resenha sobre o livro.

Mas voltando ao filme!

Temos a jovem Myrtle “Tilly” Dunnage [Interpretada pela estonteante Kate Winslet], que volta para sua cidade terra natal, no meio do deserto Australiano, depois se tornar uma renomada costureira de Alta Costura em Paris. Nesta cidade Tilly vive a sombra de um passado sombrio, ela foi expulsa da cidade quando era pequena e acusada ser a responsável pelo falecimento de um dos garotos da cidade.

Esse fato marcou a vida de Tilly para sempre. Mas porque voltar ao fim do mundo, depois de vencer em Paris? Ela vem em busca de respostas dessa passado e acima de tudo por vingança a todos que a atormentaram durante sua infância.

Tilly, volta totalmente diferente, Gosta de Jazz e se veste bem!

Tilly, volta totalmente diferente, Gosta de Jazz e se veste bem!

Um dos primeiros desafios de Tilly é conseguir o reconhecimento de sua mãe Molly Dunnage [A excelente Judy Davis, atriz que andou esquecida] ela não vem na agora mudada Tilly, traço nenhum de sua filha, isso gera um pequeno e divertido embate entre as duas.

Seu segundo desafio é conseguir sua vingança dentro da cidade e descobrir o que aconteceu no passado. Lembrando que por mais que a cidade seja pequena, muitos segredos são guardados a sete chaves e Tilly tem mais desafetos do que imagina.

No meio desta tempestade Tilly reencontra Teddy [Liam Hemsworth] e o Sargento Farrat [com um irreconhecível Hugo Weaving], o primeiro um amor do passado o segundo o Sargento que esconde um amor por tecidos e plumas. Falando de Tecido, Tilly usará suas qualidades como costureira para manipular todos a sua volta, vemos um desfile de Alta Costura no meio do deserto.

Judy Davis

Judy Davis

O filme tem a direção de Jocelyn Moorhouse, que anda sumida desde 1997 com o filme Terra Perdida. Moorhouse faz uma direção bem segura, e consegue adaptar muito bem cada personagem do filme. A química entre Judy Davis e Kate Winslet [Que está divina] funciona muito bem, sem contar o resto do elenco que encarnou bem a Dramédia, que por vezes tem ares de Shakespeare.

Não temos apenas a Alta Costura, temos também uma excelente carga Dramática

Não temos apenas a Alta Costura, temos também uma excelente carga Dramática

Não só pelas ligeiras citações aos personagens da obra, mas todo o clima teatral que envolve o filme como a Vingança, um cenário pequeno e claro os personagens pitorescos.

A Vingança Está na Moda é um filme divertido e merece ser visto ainda mais por ser uma mistura de Drama e Comédia [uma comédia inteligente e cheia de sarcasmo] gênero que está em falta no cinema.

Voltamos na Sexta!

A Bruxa o melhor do terror [The Witch]

Na quinta-feira passada tive o prazer de assistir A Bruxa. Primeiro filme do diretor Robert Eggers, que antes de escrever e dirigir esse filme já trabalhou com desenhos e produções de figurino.

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Neste filme de baixo orçamento o diretor mostra que os filmes de terror ainda podem atrair um bom público para as salas e fugindo da mesmice dos Found Footages [Gênero como Atividade Paranormal que já se mostra saturado] e cria um terror psicológico.

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Além de um roteiro muito bem acertado [Eggers o escreveu], o diretor tenta mostrar sua qualidade como cinegrafista, criando cenas tenebrosas, mas ao mesmo tempo maravilhosas. A baixa iluminação, uma trilha sonora muito bem escolhida e a presente sensação de que somos voyeurs do que está acontecendo garante a tensão do início ao fim.

A cada cena do filme, uma única referência me via a cabeça: as pinturas do espanhol Goya. A técnica de iluminação usada pelo espanhol e o ângulo de visão são bem parecidos com uma fase na qual o pintor voltou seus trabalhos para o paganismo. Existem séries de gravuras que retratam o mundo das bruxas ou quadros a óleo que retratam o Sabbat [conhecida como Pinturas Negras].

Sabbath das Bruxas [1797 - 1798]

Sabbath das Bruxas [1797 – 1798]

Wicked Woman [Sem data] lembra muito uma das cenas inicias do filme

Wicked Woman [Sem data] lembra muito uma das cenas inicias do filme

Goya é um pintor que merece um post…quem sabe no futuro.

E em algum período tenebroso do século XVII esta família acaba de ser expulsa de uma comunidade de colonizadores vindos da Inglaterra e o motivo deste banimento nunca ficamos sabendo. Porém o que tudo indica é que a família era mais fervorosa do que os demais.

Belíssima Fotografia

Belíssima Fotografia

Como foram, eles expulsos devem começar a vida longe deste vilarejo. Neste novo lar o pai William [o tenebroso Ralph Ineson] , a mãe Katherine [Kate Dickie], a filha adolescente Thomasin [A jovem talentosa Anya Taylor-Joy], o filho pré-adolescente Caleb [Harvey Scrimshaw, que dá um show de atuação na cena da absolvição], o bebê Sam e um casal de gêmeos ficam perto de uma floresta. logo William adverte os filhos do perigo dos animais selvagens e os proíbe de brincar ali perto.

Essa que seria uma chance de recomeço se torna um pesadelo para a família, primeiro com o desaparecimento do bebe de Katherine, depois com a colheita que não dá certo e seus animais se tornando cada vez mais violentos [fique atento com o Bode Black Phillip]. Dado a tantas desgraças tudo indica que Thomasin é uma bruxa, e isso leva a família a beira da loucura.

Pobre Thomasin, culpada ou inocente?

Pobre Thomasin, culpada ou inocente?

Eggers cria uma trama excelente, ficamos todo tempo tentando imaginar se Thomasin realmente é uma bruxa [ o que nos faz lembrar um pouco da peça de Arthur Miller, As Bruxas de Salem, onde a todo momento o fanatismo religioso levam os personagens a consequências trágicas].

Mas não estamos no livro de Arthur Miller e sim em um terror.

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Thomasin é colocada a todo instante entre culpada e inocente. Mas a maldade conspira ao seu favor.

A cada ação destrutiva vemos a fé [e a rigidez dela] enfraquecendo. O roteiro coloca muito mais o paganismo como uma força libertária do que tenebrosa. Thomasin sente a necessidade desta liberdade, ela sonha com seus tempos gloriosos de Inglaterra, onde não havia tantas provações e pobreza.

A fé aprisiona ou liberta?

A fé aprisiona ou liberta?

É essa liberdade que o diretor nos mostra na cena final, uma das mais belas do cinema, e que infelizmente que não terá um justo reconhecimento. Por mais que o diretor tente fazer um filme de arte ele ainda será julgado como um filme de terror.

A não ser que o Black Philip intervenha.

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Voltamos na quarta

 

Brie Larson mostra uma atuação convincente em O Quarto de Jack

Continuando a corrida pelo Oscar, resolvi assistir O Quarto de Jack. Filme que concorre ao Oscar de Melhor Atriz com Brie Larson [melhor direção, melhor filme e roteiro], que ficou famoso pelas suas pontas no seriado Community, mas o trabalho mais expressivo da atriz fica por conta do belíssimo Short Term 12 [que chegou aqui n Brasil em uma amostra de cinema independente como o nome de Temporário 12].

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Brie Larson tem se mostrado uma atriz de primeiro escalão, talvez não tenha ainda despontado totalmente por conta de suas escolhas, a atriz busca muito mais o mercado independente do que o comercial [e o que acaba chegando a nossos olhos] talvez por isso a atriz ainda seja um pouco desconhecida por aqui.

Neste filme ela assume o papel de Ma [ou Joy], que vive com seu filho Jack [o excelente Jacob Tremblay, o garoto parece ter futuro], trancafiada em um quarto a sete anos, depois de uma série de abusos de seu sequestrador nesse tempo, nasce Jack, agora ele tem cinco anos e sua mãe precisa encontrar um caminho para seu filho conhecer o mundo real.

Mundo esse que ele não conhece. Joy cria uma narrativa lúdica para proteger seu filho da dura realidade de viver preso. E Jack compra essa narrativa muito bem, mas é claro, Jack nunca viveu no mundo exterior, diferente de sua mãe.

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Ela compreende que essa proteção prejudica Jack e quando pretende fugir do cativeiro, aos poucos tenta desconstruir essa realidade.

Isso me fez pensar um pouco mais sobre a nossa noção de realidade e como vivemos a distorcer as coisas para viver uma vida cada vez menos infeliz. E quanto essa flexibilidade de realidade pode esconder nossos problemas e nos enfraquecer para o mundo real.

As escolhas do diretor Lenny Abrahamson, destrói qualquer chance de O Quarto de Jack se tornar um Melodrama, ele escolhe mostrar que o maior desafio desta família será sobreviver fora do quarto. Onde as barreiras e a interferência exterior é bem maior.

Eu torço para que Brie Larson vença na categoria de melhor atriz.

Se puder assista O Quarto de Jack!

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Voltamos na segunda com um lugar legal para conhecer…