Masp volta a usar os Cavaletes de Lina Bo Bardi

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Na noite de ontem, o malditovivant foi convidado para a reinauguração dos Cavaletes de Cristal de Lina Bo Bardi, depois de 20 anos relegado a memória do MASP, eles voltam a ativa, com a mesma proposta de vinte anos atrás, aproximar o visitante da obra de arte.

No início de 2014 depois de assumir o cargo, Adriano Pedrosa, prometeu ressuscitar os Cavaletes de Cristal, a promessa foi cumprida, e não poderia ser em uma hora melhor, as reestruturações dos últimos anos do MASP, conseguiu tirar o museu do vermelho.

Mas o assunto central é a ideia revolucionária de Lina Bo Bardi, seus Cavaletes de Cristal, colocam o acervo sobre outra perspectiva.

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Não existe mais as paredes que sustentam as obras: Isso tira a obrigação do visitante seguir um caminho específico, sem as paredes temos uma visão geral da exposição, podemos ver artistas de períodos diferentes tentando um diálogo.

Isso também foi pensado por Lina Bo Bardi, o acervo do MASP, não é de apenas uma escola. Mas esse diálogo entre os artistas é possível, já que temos: Picasso, Matisse, Cézzane, Volpi, Renoir, Delacroix, Portinari, entre outros.

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O Visitante deixa a função de espectador para trás e se coloca “curador”.

A linha que separa o visitante da obra é excluída, deixando a exposição com um ar menos frio. Isso rompe com todas as convenções de qualquer museu. E pensando em instituições que sempre buscam aproximar o visitante do espaço essa é a melhor maneira de se fazer isso.

Verso da Obra!

Verso da Obra!

Essa maneira de expor também aguça a curiosidade do visitante, podemos ver o lado de trás das obras, as vezes com algumas marcações do artista ou mesmo o “reflexo” da obra. E como as placas de identificação estão na parte de trás da obra, eleva o exercício de investigação da obra, excelente para quem não conhece o acervo.

Pé do Cavalete

Pé do Cavalete

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A abertura oficial é hoje dia 12 de Dezembro, sem data oficial para seu termino. Aproveite a oportunidade, sendo você um amante de Museu ou mesmo uma pessoa que não gosta de arte.

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Um olhar sobre a nossa indiferença [Revogo]

O sonho de qualquer grande fotografo, é fazer parte do “momento”. Esse “momento” por vezes contraria a lógica e acontece quando se está no lugar errado na hora errada. Ser um repórter/Fotografo que procura por isso, não é nada simples.

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André Liohn faz isso a dez anos, hoje ele tem 40 anos e viu as mais diversas realidade do mundo: Queda de ditaduras, morte e fome, o deserto ou a realidade dicotômica da cidade de São Paulo.

Por conta do seu excelente trabalho em 2012 foi premiado com a Medalha de Ouro Robert Capa [um dos maiores prêmios do Foto Jornalismo], pelo seu trabalho sobre a Líbia chamado: Quase Amanhecer na Líbia.

Não Líbia, é Brasil

Não Líbia, é Brasil

Em sua mostra Revogo, que chegou ao Caixa Cultural de São Paulo em Outubro e fica até o inicio de dezembro, nesse seu trabalho ele diálogo com a nossa realidade, mostrando o dia a dia das periferias de São Paulo.

Nela, vemos a violência dos dias modernos. Policiais, garotas drogadas, menores armados, prostituição [uma das melhores fotos, vemos uma garota de programa abaixo de outdoor de uma escola de inglês que em sua propaganda pergunta sobre o futuro], entre outras imagens que se mostram reais e fazem parte do dia a dia de muitos.

Excelente escolha da caixa cultural

Excelente escolha da caixa cultural

Liohn assim como Capa, viveram em zonas de guerra, na busca pelo melhor “clique”, mas como acreditar no melhor “clique” nos dias de hoje? Lembrando que a celebre foto de Capa, foi questionada como uma montagem. Essa foto foi tirada em 1936. Então como não questionar Liohn em 2015 com tantos recursos?

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Deixando as polêmicas de lado, a exposição se torna excelente, temos a violência e a realidade de nossas capitais, mas o questionamento fica realmente para a última foto.

Então vá a exposição [Até o dia 06/12], pois com verdades ou mentiras, existe muita coisa que devemos refletir.

Museu da Caixa Cultural

Endereço Praça da Sé, 111

Telefone (11) 3321 4400

Preço grátis

Horário de abertura ter-dom, 9h-21h

Voltamos na quarta!

Projeto Última Hora

No inicio do ano, tive uma agradável surpresa, fui chamado para estagiar no Arquivo Público do Estado de São Paulo, eu começaria a estagiar no projeto do Jornal Última Hora. Um jornal que foi fechado no período Militar, e que no seu acervo, contém mais de 166 mil ampliações, sem contar os negativos.

Eu que curso história, não conhecia muito do ramo de arquivologia, e comecei no projeto como a digitalização, ramo que eu já tinha certa experiência. Foi nesse momento que me apaixonei pelas fotos do jornal, momentos históricos, festas, celebridades e o futebol da época.

Mas com o tempo essa paixão foi se esvaindo, o lado mecânico da coisa tomou parte do projeto e ver as fotos não era mais tão divertido como no começo. Mudei de setor e com essa mudança veio a magia novamente. Tornei-me um dos catalogadores, que tem como missão manter o acervo em ordem e pesquisar sobre o passado dos personagens da foto [a parte mais legal do trabalho].

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Agora que o projeto está chegando ao seu fim, me sinto agradecido por participar e ter o nome colocado na exposição é gratificante [massagem no Ego]. Ouvir os relatos de Jayme Martins [Repórter do Última Hora] e Moura Reis [Redator do Última Hora] foi muito marcante porque percebi o quanto o jornal foi importante para eles e como redescobrir esse acervo está sendo importante para quem viveu o Última Hora.

Roman Polanski

Roman Polanski

J.K e sua família

J.K e sua família

Mercedes do JK chega ao Brasil

Mercedes do JK chega ao Brasil

Do Última Hora fico com o carinho das pessoas com quem eu trabalhei e as maravilhosas fotos que eu ajudei a “colocar em ordem” e esse simples colocar em ordem, faz toda a diferença para o passado [e memoria] de muitas pessoas, além de fazer uma grande diferença para o meu futuro, pois a cada foto um mundo novo era apresentado.

Obrigado Projeto U.H

Quem estiver em São Paulo, não perca a exposição:

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IMAGENS DE UM ACERVO
QUANDO: de seg a sex., das 9h às 17h, até 20/11
ONDE Arquivo Público do Estado, r. Voluntários da Pátria, 596, Santana, SP, (11) 2089-8150
QUANTO grátis

Não pode faltar na sua Estante [Arte]: O Cubismo – Uma Revolução Estética: Nascimento e Expansão

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Finalmente chega ao Brasil pela editora Estação Liberdade o livro do Curador francês, Serge Fauchereau: “O Cubismo uma revolução estética”, livro que desvenda todo o movimento artístico de uma geração. Serge coloca o movimento Cubista como o mais importante do século 20, por romper com todas as amarras estéticas de uma época.

Os Cubistas eram Anti-Românticos, não queriam falar de amor ou mesmo da guerra, esses artistas queriam desconstruir tudo a sua volta, para depois reconstruir e dar uma nova significância. O Curador também coloca em contexto, como as novas correntes de pensamento e as descobertas no campo da Filosofia e da Psicologia auxiliaram e embasaram esses novos artistas.

Freud estava em plena evidência em com suas descobertas no estudo da mente humana, sem contar com as mudanças na cidade. A mentalidade humana e o tempo estavam sendo questionados, pois as cidades estavam crescendo e o modo de viver estava mudando.

Cézanne

Cézanne

Na parte técnica da arte, Cézanne já questionava a ideia de perspectiva. Um dos elementos importantes para a construção da técnica do cubismo.

Fauchereau coloca o Cubismo como uma arte que buscava a gosto popular, como “parecia” ser pouco regido por normas e rigor e flertar com assuntos populares e descontruir as coisas por vezes de uma maneira bem engraçada. Mas muitos colocam o Cubismo como uma arte mais voltada ao intelectual.

Picasso

Picasso

Entre outros casos, o autor mostra a participação das mulheres dentro do universo Cubista, passando pela Rússia e indo até o Brasil onde Anitta Malfatti, flertou com o movimento.

Se você gosta de Arte ou que apenas se interessa pelo movimento não pode deixar este livro de fora da prateleira.

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O Cubismo – Uma Revolução Estética: Nascimento e Expansão

Autor: Serge Fauchereau

Editora: Estação Liberdade

Tradução: Marcela Vieira e Julia Vidile

Páginas: 254

Valor: 138 reais em média

50 momentos da National Geographic [Exposição]

Se você estiver na Zona Sul de São Paulo, não pode perder a oportunidade de ver a mostra da National Geographic, no Shopping Morumbi. A exposição já rodou por diversos lugares do mundo, trás para os amantes de fotografia [profissionais ou não] as 50 imagens históricas da revista.

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Entre as 50 imagens, temos fotos de todos os cantos do mundo, que vai de paisagens, pessoas em seu cotidiano e o mundo animal. Cada foto vem com a informação da região onde foi tirada, o seu fotografo e o ano, o mais legal fica por conta da explicação do fotografo, algumas dessas explicações acabam desmistificando a profissão.

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Como a bela foto do mergulho com leões marinhos de David Doublet, onde ele conta sobre o momento e termina dizendo: “fotografia é baseada em habilidade, mas também em ter muita sorte”.

A exposição também vem para nos mostrar que a foto é apenas um momento. E que existe muito mais sobre os personagens do que imaginamos.

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Assim como mostra William Albert Allard, na foto abaixo vemos um antigo produtor rural e vaqueiro, que por conta do progresso será despejado de sua fazenda para dar lugar a um novo futuro. O Vaqueiro contou a William que ele não sabia o que fazer depois disso, pois em toda a sua vida foi um homem do campo e não queria viver na cidade.

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Um dos detalhes dessa foto é a falta da algumas estrelas na bandeira Americana [versão antiga da bandeira]. Que dá um ar maior de poesia e drama para a foto.

Mas o momento mais me causou impacto é a foto de Thomas J. Abercrombie, um dos especialistas em oriente, que em 1967 fotografou uma mulher de burca voltando de um mercado local em Cabul, carregando uma gaiola de pássaros na cabeça.

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O Vermelho forte e a sensação de uma quase miragem [para os olhos ocidentais] fazem da foto uma das mais bonitas da exposição.

Não vou ficar entregando mais sobre a exposição.

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Vá ao Shopping Morumbi e veja com seus próprios olhos.

“National Geographic apresenta 50 Grandes Fotografias”.

Local: Atrium do Morumbi Shopping (Av. Roque Petroni Júnior, 1089).

Horário de funcionamento: de segunda a sábado, das 10h às 22h; aos domingos, das 14h às 20h.

Entrada: gratuita.

até o dia 9 de agosto.

Aproveite, o malditovivant volta na quarta.