Para não errar na Bienal II [Sociologo - Zygmunt Bauman]

Continuando com a série de dicas para não errar na Bienal, volto agora falando de outro escritor: Zygmunt Bauman. Ele foge um pouco do estilo de livros que eu apresento no blog, mas ele faz parte da minha coleção de livros, além disso, tenho vários textos sobre seu trabalho.

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Bauman é um sociólogo Polonês que estuda o homem e como ele se relaciona com seu tempo. O sociólogo descreve nossa sociedade como a “Sociedade Liquida” e seus diversos livros tentam interpretar o momento sócio cultural em que vivemos. 

Essa sociedade é marcada pelas relações fluídas, onde a cada dia os relacionamentos se tornam frágeis e a fidelidade não é a base deste relacionamento. Com isso ainda vivemos a falsa ideia de que nossas atitudes são livres e temos o total controle do caminho que iremos seguir. Somos altamente camufláveis, podemos transitar por qualquer cultura mesmo não pertencendo a ela e o exemplo mais clássico é o Budismo, onde ele diz: “Podemos nos tonar budista simplesmente indo a livraria e vendo algumas aulas”.

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A Sociedade Liquida é a sociedade que defende o estar, nunca o ser!

Bauman também escreve sobre nossa nova maneira de socializar e como usamos a internet para fazer amizades e namorar; a real busca não seria se relacionar [algo mais complexo, que precisamos conhecer a pessoa a fundo] e sim apenas se conectar [algo mais simples, que depende apenas de simples afinidades]. Essa nova busca tem uma razão prática, a facilidade de se desconectar ou simplesmente, trocar de amores em um click.

A editora Zahar é responsável por trazer os livros de Bauman para o Brasil. A editora fez um belo trabalho visual com as capas (que parecem sempre um tanto caóticas e radicais) e a parta interna de cada livro. Até o momento em seu catálogo contam 33 livros do autor; entre eles podemos destacar:

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Vidas em Fragmentos: São oito ensaios sobre diversos temas como: identidade,  peregrinação e errância, pânico, violência, racismo, antissemitismo, modernização da crueldade entre outros.

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Tempos Líquidos: Um olhar reflexivo, sobre os principais problemas da nossa sociedade como o terrorismo, o medo do desemprego, a solidão e a depressão. Temores que foram criados pela nova maneira que o homem escolheu para se socializar.

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Vida a Crédito: Bauman volta a falar sobre como construímos uma sociedade que consome cada vez mais, fatos que foram construídos por nossos medos e incertezas sobre o futuro, criando um homem hoje escravizado pelo crédito de amanhã e pelo “direito” de consumir.

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A Sociedade Individualizada: As cidades contemporâneas valorizam o ser individual, um mecanismo criado para tirar o poder e criar uma falsa sensação de autossuficiência.

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Identidade: Bauman retorna a uma discussão básica: Qual o limite da individualidade? E como sofremos uma mutação constante e não temos o controle dessa mudança.

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Amor líquido: Um dos livros mais famosos, que fala sobre o novo modelo de relações que é basicamente virtual e como a cada dia nos tornamos vazios e insensíveis.

Bauman é um prato cheio para se conhecer e estudar o homem. Aproveite as dicas e desfrute a Bienal do Livro.

Não cito aqui, mas li o livro Vida para Consumo, o qual também recomendo procurarem na Bienal, pois a escolha vai ser certeira. Futuramente vai ter resenha dele aqui no blog. 

O malditovivant volta na quarta com um novo post.