Primeira Leitura do ano – Cosmópolis.

“Um rato se tornou a unidade monetária”

Não sou muito de trocar presentes com meus irmãos, geralmente só compro o presente da minha mãe, do meu velho amigo e da Charmander. Nesse ano eu troquei livros com minha irmã, ela pediu o famoso “50 Tons de Cinza” e eu pedi Cosmópolis do Don DeLillo, eu e minha irmã temos gostos diferentes, seria pretensão dizer que meu livro é melhor, ou que é bem mais escrito. Não sou esse tipo de pessoa. Mas meu livro é bem melhor.
Eu nunca havia lido nada do Don DeLillo, mas já tinha lido algumas críticas do seu trabalho, mas não foi o escritor que me levou a ler Cosmópolis, e sim David Cronenberg o diretor do filme. Quem acompanha meu blog, sabe o quanto eu gosto deste diretor [clique aqui e leia sobre] a minha ideia inicial, era ler o livro e em seguida alugar o filme. Então uma semana depois das festas comecei a ler Cosmópolis.

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O livro gira em torno de Eric Parker, um exemplo clássico de profissional “Self Made Man[Homem que se faz sozinho] Parker vem de uma família pobre, consegue se formar e ao final do ano 2000 com seus 28 anos, Parker se torna o homem mais rico do mundo e uma espécie de “Guru” dos negócios. Parker tem tudo, nada que exista na terra não pode ser comprado.

Em uma manhã Eric decide cortar o cabelo, pega sua limusine que serve de base/escritório e tenta chegar ao barbeiro que fica a dez quadras de seu apartamento. Neste mesmo dia a cidade está mergulhada no Caos, o presidente está em visita na cidade, um grupo anti-capitalismo promete atacar a Times Square, e ainda existe uma ameaça anônima que a equipe de segurança não conseguiu detectar.

Parker inicia sua simples caminhada [a ida ao barbeiro] com o intuito de ver o seu fim. O fim da sua fortuna, das suas certezas e a sua individualidade [em uma passagem cheia de significado], mas tendo controle sobre tudo o que está acontecendo. Essa corrida para ver o fim é um reflexo do mundo anestesiado que ele mesmo criou, Parker precisa voltar a sentir e só perdendo tudo, ele pode voltar a se sentir vivo.

No meio da caminhada ele encontra os mais diferentes personagens [seus analistas] que querem a todo custo evitar que ele realize o seu desejo, mesmo ninguem sabendo sua real vontade. Cada analista mostra uma personalidade diferente desta nova sociedade, a mãe solteira bem sucedida [mas ainda mãe], o jovem sem amigos, o velho segurança [um homem experiente que deve se rebaixar ao mais novo], entre outras personalidades.

Dois trechos do livro:

“A chuva em seu rosto era boa, e o cheiro de azedo também era uma coisa boa e certa, mas era a ameaça da morte ao cair da noite que lhe falava de modo mais decisivo sobre algum princípio do destino que ele sempre soubera que um dia haveria de se esclarecer. Agora ele podia dar início à atividade de viver.”

“Eric fez um rolo apertado com as calças, escondendo a arma bem no meio, e largou todas as suas roupas na calçada. […] Eram apenas figurantes numa cena de multidão, com ordem de permanecerem imóveis, mas a experiência era forte, tão total e aberta que ele mal conseguia imaginar-se fora dela […] – Oi! Era a pessoa mais perto dele, uma mulher deitada de bruços, com um braço estendido, palma virada parar cima. Seu cabelo era ruivo ou louro arruivado. Talvez fosse acaju. O que é acaju? Uma cor castanho-avermelhada. Ou canela. O nome era mais bonito.”

Se você procura uma leitura diferente, Cosmópolis pode ser o seu livro. Eu que nunca havia lido nada do DeLillo, já coloquei outro livro do escritor na minha lista e espero que seja bem escrito como Cosmópolis.

O malditovivant, volta na quarta com muito mais.

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5 comentários em “Primeira Leitura do ano – Cosmópolis.

  1. debondan disse:

    Interessante! Quando é tirado o poder do homem, fica-lhe a sua essência …e ele se revela verdadeiramente como ele é.

  2. Luane disse:

    “seria pretensão dizer que meu livro é melhor, ou que é bem mais escrito. Não sou esse tipo de pessoa. Mas meu livro é bem melhor.” hahaha

    Gostei do enredo, vou colocar Cosmópolis na lista!
    Infelizmente, o que mais vemos por aí é pessoas vivendo em “mundos anestesiados”.
    Deve ser uma reflexão interessante…

  3. Luane disse:

    “seria pretensão dizer que meu livro é melhor, ou que é bem mais escrito. Não sou esse tipo de pessoa. Mas meu livro é bem melhor.” hahaha

    Gostei do enredo, vou colocar Cosmópolis na lista!
    Infelizmente, o que mais vemos por aí são pessoas vivendo em “mundos anestesiados”.
    Deve ser uma reflexão interessante…

  4. Ingrid A. disse:

    bem.. como vc fala o livro parece ser bom, ele usa periodos enormes e é um senhor risco… o livro
    é tipo a maxima de que quando a gente sabe que a morte ta perto é que decidimos viver?

  5. edi fortini disse:

    Fiquei curiosa pra ver o filme por conta de um comentário do Rogério Skylab (mas nem me lembro qual era ao certo, só lembro que ligou o alerta de “preciso ver”).
    Bem como preciso prestar mais atenção ao Cronenberg (vou ler o post relacionado que você colocou aqui), apesar de não ter gostado muito de “Um Método Perigoso”. Outras indicações?

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