O filme mais internacional de Abbas Kiarostami [Cópia Fiel]

“E o que é a Verdade?” Pôncio Pilatos

Chegou às salas de cinema o novo filme do diretor iraniano Abbas Kiarostami [Um Alguém apaixonado] fiquei curioso para ver seu novo trabalho, que diferente do seu último Cópia Fiel [2010] segue a ideia de escalar atores desconhecidos. Como ainda não surgiu uma brecha para ver o novo filme no cinema, resolvi fazer uma resenha sobre Cópia Fiel, que está em cartaz no canal a cabo Max.

Cópia fiel é o primeiro trabalho internacional do diretor, mesmo usando atores conhecidos e filmando fora de sua terra Kiarostami consegue criar um cinema de alto nível, diferente de muitos diretores que seguem os mesmos passos e criam obras gigantes, mas sem vida [essa indireta vai para Fernando Meirelles e seu péssimo 360º].  O filme tem uma grande diversidade, primeiro pela escolha dos atores principais, Juliette Binoche [Francesa] e William Shimmell [Inglês]. Para aumentar a diversidade o filme é rodada nas maravilhosas paisagens da Toscana na Itália.

Binoche nunca esteve tão linda

O filme conta a história do encontro do escritor  James Miller [William Shimmell], e Elle [Juliette Binoche, que nunca esteve tão linda], que é dona de galeria de arte e há anos vive na Itália. Miller está lançando seu mais novo livro, Cópia Fiel [que também dá nome ao filme]. A tese do livro se baseia em que uma boa cópia vale tanto, ou mais, que o original. Por meio do livro o diretor, levanta questões importantes do ser humano: o que é o original, o que é a cópia? Como uma coisa se distingue da outro? O valor da arte está na obra, em si, ou no olhar de quem a contempla?

William Shimell um genuíno sedutor

Saído da esfera da arte o diretor coloca essas mesmas questões na vida dos personagens [e na nossa também]. Isso ocorre quando James e Elle param em um café e a dona do lugar os confunde, achando que são um casal, tudo isso pela maneira com se olham e discutem. Depois dessa confusão se instala um jogo entre eles [ou não?] que chega a lembrar o celebre “Quem Tem Medo de Virginia Woolf” [1966].

E assim como no filme de 1966 não sabemos na verdade, o que é real e o que é falso [se é que isso tem importância?] Os dois estão representando um casal?  Na verdade eles são um casal maduro que recorda os motivos da ruína do seu relacionamento? Dois desconhecidos que estão brincando de ser um velho casal? Verdadeiro ou Falso, Cópia ou Original.

Essa atuação ou verdade nos coloca em cheque, criando uma confusão de pensamentos e uma dúvida que nunca vai ser solucionada, porque o diretor não deixa as pistas, mas o caminho do filme não é solucionar e sim perceber que o individuo não existe. E que somos apenas cópias de fatos e pessoas que passam por nossa vida e que a originalidade não existe. Tudo isso sem peder a doçura e fazendo de Cópia Fiel uma fábula sobre os relacionamentos [seja ela real ou falso].

Agora assista ao filme e tire suas próprias conclusões.

O malditovivant volta na quarta com muito mais.

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3 comentários em “O filme mais internacional de Abbas Kiarostami [Cópia Fiel]

  1. debondan disse:

    Taí, gostei da dicona. Vou conferir. Obrigada. bjos ( adoro a Juliette)

  2. Confronto de Idéias e Pensamentos disse:

    Amei!!!

  3. Lorena Correia disse:

    Amei o cartaz do filme. Se fosse um livro, escolheria pela capa!

    O rosto de Juliette Binoche me é familiar, mas não sei de onde.
    Nunca ouvi falar do diretor, sou meio devagar com relação a cinema… enfim, amei a resenha. Fiquei com vontade de assistir.

    Beijo!
    http://www.milalices.com.br

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