Paul Auster e seu conto de uma Nação Anestesiada [Sunset Park]

Um presente de coração.

Na semana do meu aniversário ganhei do meu grande amigo  o até então mais novo livro de Paul Auster, Sunset Park. Anos antes eu havia presenteado ele com livro do autor, e eu mesmo não tinha lido nada dele [essa foi uma das razões para ganhar o livro], antes de começar a ler meu amigo fez um discurso emocionado falando da grandiosidade do escritor e chegou a comparar com Philip Routh [outro escritor que temos em comum].

Na semana seguinte comecei a ler, gostei tanto do livro que o devorei em uma semana, logo depois engatei o livro Serena [clique aqui e leia sobre]. E devo confessar, Paul Auster é um grande escritor e merece a atenção de todos.

Sunset Park se passa nos Estados Unidos entre 2008 e 2009 [logo após a grade crise] seu personagem principal é Miles Heller um jovem que tinha um futuro promissor, mas a morte do irmão e o sentimento de culpa, o fez fugir de tudo [família, amigos e faculdade]. Miles passou a  viver como nômade durante vários anos, nunca criando laços com ninguém, sempre trabalhando nas coisas mais inusitadas.

Na Califórnia ele conhece a jovem Pilar [a personagem que serve como esperança em sua vida] o romance transcorre normalmente até uma das irmãs de Pilar começar a chantagear Miles. Pilar ainda está no colegial [ele precisa esperar ela completar a maioridade]. Por conta disso Miles resolve aceitar a proposta do seu único amigo da época da Faculdade que ainda tem contato, Bing Nathan.

Bing é um idealista, que montou uma comuna em uma das casas desapropriadas no centro de Nova York, Miles vai se juntar a mais duas pessoas que ele nunca viu na vida. Alice uma garota que está prestes a concluir o seu mestrado em cinema. Ellen uma jovem atormentada que perdeu o rumo da vida, que está entre ser corretora e viver do sonho de ser artista.

Mas voltar para Nova York também é reencontrar todo o passado que Miles deixou para trás, principalmente seu pai Moris Heller, dono a Heller Books, empresa que vive uma crise por conta dessa nova sociedade que não lê, ou como ele mesmo coloca: “uma sociedade que cultiva a ignorância”.

Apesar da grande quantidade de personagens a trama é muito bem amarrada e mostra um pouco dessa nova fase do escritor, uma fase mais pessimista, sem acreditar em um futuro tão brilhante que a sua geração idealizou. Isso reflete nos seus personagens, onde nenhum deles é feliz, por mais que eles lutem a felicidade se torna inalcançável. Outro sentimento forte presente em todos os seus personagens é a fuga.

Seus personagens também fazem parte do retrato desta “Nova América” de Obama, um povo que se enfeitiçou por um discurso de mudança, mas que não saiu do lugar e continua paralisada por uma profunda crise econômica e moral.

Agora vá para a livraria e procure Sunset Park do Paul Auster.

O malditovivant volta na quarta com um post novo…

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5 comentários em “Paul Auster e seu conto de uma Nação Anestesiada [Sunset Park]

  1. Ingrid A. disse:

    Olha, só consigo me lembrar da sua empolgação assim que você terminou de ler esse livro, fiquei curiosa quanto a escrita do autor, pessimismo geralmente tem bons adjetivos e metáforas… já q ngm consegue alcançar a felicidade temo pelo final do Milles e Pilar.
    adoro a capa dele. e com certeza eu compraria pela capa., sem nem saber dessa fama tda do autor…

    Só queria entender porque o Humberto se emocionou hahahahah Beeeijos

  2. ogasdacoca disse:

    Nunca li nenhum livro do autor, mais um para a lista?
    Viu, viu, viu. Vim aqui para pedir se você já viu filme Três metros sobre el cielo? No Brasil o título é Paixão sem limites, o que é triste. O nome original é muito melhor. É baseado num livro que de fato ainda preciso ler. Mas adorei e queria deixar a dica pra ti. Lançaram a continuação: Tengo ganas de Ti, mas ainda não veio ao Brasil. Eu já assisti é claro, não me aguentei. É muito emocionante.
    Bom fica a dica.
    Beijos e Boa semana.

  3. Julia Gomes disse:

    Confesso que quando leio um livro me prendo ao titulo e não ao autor, mas esse eu não conhecia mesmo. Mas gostei do pouco que li aqui. Umas das musicas que mais curta é meio clichê Song 2.

  4. […] no Escuro do Paul Auster: Li meu primeiro Paul Auster no ano passado [clique aqui e leia sobre] gostei muito da maneira que ele constrói seus personagens. Nesse livro seu personagem central é […]

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