Almodovar discute o papel do criador e da criatura [A Pele que habito]

“O Homem tenta a todo custo ser um Deus, depois de conseguir o que virá depois?” Ferds

 

Criador obcecado por criatura

Os canais Cinemax estão exibindo o mais recente filme de Pedro Almodóvar “A Pele que Habito”, premiado em Cannes e bem aclamado pela crítica, Almodóvar que é conhecido pelo capacidade de metamorfosear suas técnicas e sempre criar algo inesperado, dessa vez se superou, muito diferente de seu último filme “Abraços Partidos” [2009], onde ele brinca com a metalinguagem [um filme que mostra um filme sendo rodado].

Dessa vez o diretor brinca com o tempo, e com o velho desejo do homem de se tornar Deus, por vezes o filme me fez recordar Frankenstein, aquele clássico que por conta da mídia foi reduzido ao cômico, e que na verdade é um conto brilhante que aborda vários temas: o preconceito, a amizade e a ambição do Homem.

O que somos?

Para fazer este filme o diretor buscou inspiração [direta] do livro Tarântula, algo que esta próxima da ficção científica, onde um médico consegue algo incrível, mas a descoberta cobra um preço muito alto. Almodóvar lapidou o roteiro do filme e o transportou para o ano de 2012 [uma leve brincadeira], manteve o médico, para esse papel o diretor precisou reatar sua antiga parceria com Antonio Bandeiras.

Então a história narra a vida de um cirurgião famoso Robert Ledgard [Antonio Bandeiras, na sua melhor atuação], especializado na pele humana e reconstituição. Secretamente em casa, Robert faz experimentos secretos e desenvolve uma pele que é resistente ao fogo, todos os testes são conduzidos em Vera [Elena Anaya] uma paciente misteriosa que vive aprisionada dentro da casa de Robert.

Zeca um Alex moderno

Mas nem tudo é perfeito, no mesmo dia em que ele obtém o êxito da nova pele, sua casa é brutalmente atacada por Zeca, em uma cena pitoresca, que lembra muito um dos ataques de Alex e sua gangue em Laranja Mecânica. Zeca é um irmão bastardo de Robert, depois desse ataque tudo muda na vida do paciente e de seu protetor.

Depois desse fato marcante Almodóvar começa a brincar com o passado dos dois personagens, criando na cabeça do expectador teorias de quem é realmente Vera e porque da criação de uma pele resistente ao calor.

O passado de Robert acaba se cruzando com o de Vera como um mero acaso do destino, assim como na vida real, mas no fundo Almodóvar quer indagar:

Mas afinal quem é você? A pele que você Habita ou a personalidade que você criou pelas suas experiências de vida?

Semana que vem voltamos com mais posts…

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6 comentários em “Almodovar discute o papel do criador e da criatura [A Pele que habito]

  1. ogasdacoca disse:

    Achei esse filme fantástico, tanto que o assisti mais de uma vez.
    E o que eu achei mais interessante em todo o contexto, é que no final, “vera” tem chances com sua velha paixão.

  2. Ingrid A. disse:

    acredita que gravei mas ainda não vi o filme.. Vi o filme do Kevin, mas esse ainda não.
    ou reservar o sabado a Noite ou quem sabe domingo pra assistir. o problema eh que aqui em casa e um horror pra ver filme, ngm fica quieto..um inferno.

    quero ver esse filme reparando nas cores.. sempre ouvi “cores de almodovar, cores de frida..” e nunca notei as de Almodovar pelo menos, Frida já.

    tinha vontade de fazer um ensaio ou algum projeto ligado as cores de algumas obras dela. rsrsrs

  3. Confronto de Idéias e Pensamentos disse:

    Acredita que ainda não vi esse filme? Aff… Vou providenciar isso. 🙂
    Bjs Bjs!!!

  4. debondan disse:

    ALMODOVAR é um mestre…e este filme é muito bom !!Que bom q abordou o tema!Estou neste momento discutindo com amigas a tua postagem no aeroporto de Vancouver ,esperando o voo de volta pra casa. bjosssss

  5. internet marketing disse:

    A obsessão amorosa e a paixão arrebatadora estão lá, tão comuns à Almodóvar, mas não acompanhamos isso de forma simples. Temos agora um médico obcecado por uma tal “pele perfeita”, que ele cria em seu laboratório particular a partir de sangue humano e suíno, testada em uma paciente presa em um quarto. Um cenário um tanto quanto macabro, pois a mulher não pode sair para nada e é controlada por câmeras. Quem é ela? Porque ela foi parar ali? Vai fugir? São tantas perguntas… Mas Almodóvar não deixa o filme se desenvolver apenas por esse lado, pois usa o recurso do tempo para ir apresentando outros fatos que vão se conectando para que nós consigamos responder aos questionamentos, mas ao mesmo tempo criamos tantos outros. Porque, obviamente, num filme de Almodóvar os personagens não podem ter apenas motivações científicas e palpáveis.

  6. […] de inspiração para Almodóvar criar A Pele que Hábito, que há anos atrás eu fiz a resenha [clique aqui e leia]. Apesar do tema central, o filme segue uma linha bem diferente do livro, e mesmo com todo o […]

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