Uma obra prima adaptada dos Mangás [Um Bairro Distante]

“Quem me dera ser o homem que sou e voltar algumas primaveras” Ferds

Já vi muitos filmes, alguns têm um destaque especial na minha vida, filmes que eu gosto de rever e relembrar, filmes que evocam sentimentos escondidos, lembranças de uma fase da minha vida, por vezes distante e por vezes perdida. No Sábado assisti [no canal Cinemax] a um filme que me tocou profundamente, pela sua simplicidade e pela sua história cativante. Um Bairro Distante [Quartier lointain – 2010].

O filme é uma adaptação fiel do Mangá escrito e desenhado por Jiro Taniguchi, o filme lançado em 2010 [uma coprodução Franco-Belga] que conta a história de um desenhista [Thomas Verniaz] que está no meio de uma crise, não consegue mais levar a diante as revistas de seu personagem e tão pouco se sente satisfeito com sua vida familiar.  Na volta de uma feira de quadrinhos ele pega o trem errado, sendo obrigado a parar em uma pequena cidade francesa, sem perceber ele se vê na sua antiga cidade, onde seu sonho de se tornar desenhista começou.

Como seu trem para Paris só vai chegar ao final do dia, ele resolve visitar o túmulo de sua mãe. Ao chegar ao túmulo ele acaba desmaiando, quando acorda ele percebe que não é mais quem era, ele volta a ter a idade 14 anos, mas com a consciência de que está sonhando, ciente disso ele passa um dia maravilho com sua família, ele o faz como se fosse se último dia ali.

Thomas acorda e percebe que “seu sonho” ainda não acabou. Será que ele tem algum assunto inacabado? Ou apenas precisa aprender uma lição? [todos nós precisamos]

Curtir uma tarde, sem o peso do mundo em seus obros

Dentro dessa temática somos levados a ver um homem sábio em um corpo de garoto, revivendo a sua vida, reencontrando o primeiro amor [e ficando confuso] e levando um pouco mais de luz ao coração da sua mãe. O filme tem cenários maravilhosos, cercados por paisagens belíssimas, que só o interior europeu pode proporcionar. Tudo isso filmado sobre uma ótica saudosista.

Voltar a estudar

“Um Bairro Distante” tem uma narração leve e tranquila, que faz com que o telespectador sinta que faz parte de um velho mundo redescoberto. Qual de nós nunca sonhou em reviver algo do seu passado com a maturidade de hoje. Fico pensando como seria ter passado o colegial com a cabeça que eu tenho hoje. Talvez eu teria sofrido menos.

Rever uma velha paixão nunca conquistada

O mais triste dessa experiência é saber que não vou poder rever esse filme, porque dificilmente ele vai chegar às locadoras brasileiras. Quem conhecer o mangá, por favor, me mande detalhes, seria um prazer ter ele entre meus livros.

O malditovivant volta ainda essa semana com boas dicas e quem sabe menos saudosista.