Um Gatsby pós 11 de Setembro [Terras Baixas]

“O que você faz quando seus sonhos são reduzidos a pó ?” Ferds

Escritor e amante do Críquete

O tempo tem me atrapalhado, muitas coisas ao mesmo tempo, mas agora me encontrei, e to conseguindo ter tempo para ler, mas demorei um pouco a mais em Terras Baixas o livro de Joseph O´Neill, estranhamente esse livro se tornou famoso, após o presidente Obama indicar a sua leitura, antes de comprar o livro eu nem sabia disso, não sou um simpatizante de Obama, só tenho uma opinião sobre ele: “Um homem normal com uma grande ferramenta de Marketing por trás dele”.

Mas não estou aqui para falar sobre minhas ideias políticas e sim para contar sobre Terras Baixas. Hans e Rachel, um jovem casal que se muda para os Estados Unidos, Hans é Holandês, metódico e amante de Críquete, Rachel é uma Inglesa impetuosa e dominante. A vida do casal ia muito bem, a experiência de uma nova cidade e o sucesso de Hans e a chegada do “Herdeiro” coroava o bom relacionamento da família.

Mas presenciar a queda das torres gêmeas traria o medo para dentro dessa promissora família, de uma hora para outra toda a segurança e a felicidade sumira, Rachel começa a se sentir só, e resolve voltar para casa levando seu filho, Hans não sabe o que dizer e não consegue impedir a sua ida. Nesse momento nosso protagonista entra em uma espiral de dor e vazio. Isolando dentro de seu apartamento improvisando no Chelsea [Já que o seu foi evacuado] Hans entra em depressão.

Trecho do livro:

“Deitada ao meu lado no escuro, Rachel disse, “Tomei uma decisão. Vou levar Jake para Londres. Vou conversar com Alan Watson amanhã sobre uma licença do escritório”. Estávamos de costas um para o outro. Não me mexi. Não abri a boca.

“Não vejo outra saída”, disse Rachel. “Só que não é justo pro nosso filho.”

Mais uma vez, não falei nada. Rachel disse, “Passou pela minha cabeça quando eu estava fazendo as malas e voltando pra Tribeca. E depois? Começar outra vez como se nada tivesse acontecido? Pra que? Pra que a gente possa manter esse grande estilo de vida nova-iorquino? Pra que eu possa arriscar minha vida todos os dias por um trabalho que me mantém longe do meu filho? Quando a gente nem precisa do dinheiro? Quando a gente nem aproveita ele mais? É insano, Hans”.

Hans tenta uma reação e busca nos moradores do seu prédio e da cidade de Manhattan, uma saída para a sua dor e vazio, só que ele se envolve com os tipos mais estranhos, como seu vizinho que se veste como um anjo [Sim usando asas e todos os apetrechos] ou um crítico de culinária que acaba tendo que escrever sobre os lugares mais baratos para imigrantes.

Entre as figuras emblemáticas que conhece estão Chuck Rukinson [O nosso Gatsby Moreno] ele obcecado pela ideia do sonho americano, aonde alguém do nada chega ao topo, Hans se sente maravilhado com o Chuck, e suas artimanhas, Chuck tira Hans da letargia, e mergulha o Holandês em um mundo repleto de imigrantes e negócios duvidosos. Chuck alimenta o sonho de montar um estádio de Críquete nos Estados Unidos e mesmo Hans sabendo que é algo impossível ele apoia o amigo.

Nesse meio tempo Hans se divide entre trabalhar e visitar seu filho na Inglaterra. A cada visita ao filho ele sente a esposa cada vez mais distante e o sonho de ter uma família também.

Joseph O’Neill cria uma colcha de retalhos muito bem tecida, onde o passado de Hans e seu presente se misturam tirando a linearidade do texto, mas mesmo assim não quebrando o ritmo [mas requer uma leitura atenta]. O’Neill mostra ter uma grande habilidade com as palavras, criando alegorias [e frases de efeito] dentro do texto que servem para ilustrar todo o drama vivido por Hans.

“Mas no outono de 2002, até o meu trabalho, o maior dos potes e panelas que eu pusera sob o teto gotejante de minha vida, havia se tornado pequeno demais para conter minha infelicidade”.

Se você procura uma leitura diferente vá as livrarias e procure Terras Baixas de Joseph O’Neill e aproveite o mundo fantástico [mas real] criado pelo escritor.

Terras baixas, assim como o Críquete um retrato dos imigrantes

Domingo Voltamos com a imagem da semana.

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2 comentários em “Um Gatsby pós 11 de Setembro [Terras Baixas]

  1. kimme disse:

    ai ai, esse livro é marketing tbm…pensa comigo, não o li e nem presciso.. so pela sinopse e pelo trechinhooooooo…..quantas vezes na historia do mundo familias ficaram inseguras perante a guerra e num pais distante? quantos corações não foram estilhaçados, quandos amores separados, quanta insegurança e medo? quantos mundos não foram divididos, quantos unicas pessoas mergulharam num vazio………………pára…prefiro a “MENINA QUE ROUBAVA LIVROS”, mais uma produção para nos lembrar o 11 de setembro!!!! ate quando vou ficar sendo lembrada do 11 de setembro? outras atrocidades acontecem e vidas se envolvem tambem…….não fiquei nem um pouco a fim de ler esse! e ja sei vão dizer assim: é que vc nao estava lá com sua familinha, e dai? e ninguem aqui estava tbm, nem lá e nem em horoshima, nem na alemanha nazista e nem em um milhão de locais que tiveram seus desastres….
    kimerah…..
    Meia com raiva Hoje.
    desculpe

  2. Desi disse:

    bonito ex-libris 🙂

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