SWU para todos [Verdades e mentiras sobre o evento]

Por Humberto Domiciano

Quando o festival SWU foi anunciado no ano passado, tendo como foco a tal da sustentabilidade, confesso que não me animei muito. Sempre entendi que arte por si só é algo representativo e que faz pensar, sendo desnecessário usá-la e forçá-la a ter um discurso político ou de costumes.

O tal festival aconteceu, tendo como destaque logo uma banda que é totalmente política (Rage Against the Machine) e depois choveram críticas quanto a estrutura do local e até mesmo quanto ao cast escolhido.

Alguns meses depois, a segunda edição foi definida e com a mudança de cidade (de Itu para Paulínia) e dias melhores definidos quanto ao estilo musical, o festival pareceu mais interessante. E após a confirmação de um grande nome, o Lynyrd Skynyrd, decidi ir até o interior paulista. Acertados os detalhes, como hospedagem e acesso ao espaço dos shows, parti para os shows.

1º dia

No geral, tive boas surpresas. Zé Ramalho, que abriu o domingo, veio com um set mais leve, com covers, além das obrigatórias Eternas Ondas, Táxi Lunar e Admirável Gado Novo.

Na sequência, a chuva que se aproximava finalmente começou e causou o único momento mais tenso do festival. Com o atraso de todas as apresentações, a organização do SWU optou por antecipar a Tedeschi Trucks Band e inverter com o Ultraje a Rigor. A escolha foi boa, pois colocou o grupo norte-americano com seu som baseado no blues e no funk antes do show mais pesado que a banda brasileira faria na sequência.

Entendo ser desnecessário falar sobre a confusão entre as produções do Ultraje e do Peter Gabriel. O fato já foi noticiado e comentado e o mais importante é que a veterana banda de rock brazuca fez um baita show. O baterista Bacalhau se mostrou insano, o guitarrista Marcos Kleine deu mais peso a clássicos como Inútil, Pelado e Nada a Declarar.

Seguindo o dia, tivemos Chris Cornell, que trouxe um show acústico, que apesar de ter sons excelentes de sua carreira no Soundgarden e no Audioslave, não empolgou pelo formato escolhido.

Já com a noite caindo foi a vez do Duran Duran. Os veteranos ingleses chegaram com todo o glamour de outrora. O show foi bom, apesar dos sons mais novos não empolgarem o público. Simon LeBon segue em boa forma vocal e ao lado de duas (interessantes) cantoras deu um bom espetáculo.

Logo foi a vez de Peter Gabriel que veio com seu novo show com a New Blood Orchestra. A qualidade da apresentação é indiscutível. O projeto, talvez um dos mais ambiciosos do ex-vocalista do Genesis, é sucesso de público por onde passa. No caso do SWU, por ter um tempo reduzido, novamente o formato não agradou.

Para fechar o dia, nada mais do que o melhor. O Lynyrd Skyrnyd que veio para cá só tem um membro original. Nem mesmo as tragédias que a banda sempre foi obrigada a conviver foram capazes de abater estes músicos. O show já começou chutando a porta, com Working for MCA.

Já com o público ganho, o grupo se deu ao luxo de trazer 3 covers de blues antigos até fecharem com a emocionante Free Bird, em sua versão extendida, o que levou muitos às lágrimas, inclusive este escriba…

2º dia

Já recomposto do primeiro dia, fui para Paulínia esperando pela destruição. O dia do metal e do grunge prometia ser empolgante, mesmo com a chuva forte que insistia em cair… Apesar disso, as atrações fariam com que valesse a pena.

A segunda-feira começou com o Raimundos, que fez uma boa apresentação mesmo sem Rodolfo e Fred.

Logo depois começou o show de Duff McKagan Loaded. O ex-guitarrista do Guns n’ Roses veio com um hard básico, com algumas influências de punk, mas acabou empolgando mesmo só quando fechou a apresentação com It’s So Easy, do disco Appetite For Destruction, de sua ex-banda.

Na sequência, veio o Black Rebel Motorcycle Club, com seu som meio alternativo e meio moderninho. Confesso que não é o tipo de banda que eu compraria um disco, mas o público gostou da apresentação. Vale destacar a baterista Leah Shapiro, que além de tocar bem é bonita e estilosa.

Passada a apresentação chegou a vez da primeira porrada. O Down é um grupo americano formado pelo vocalista Phil Anselmo (ex-Pantera) e por uma porção de bons músicos do heavy metal americano, como o guitarrista Pepper Keenan (Corrosion of Conformity). O show é pesado, com bons riffs e a postura quase insana do vocalista, que em certo momento bateu o microfone na testa até sangrar. Foram apenas 50 minutos, mas intensos.

Passada a destruição, começou o show de uma banda chamada 311… Sinceramente não consegui definir o som dos caras. No começo era um popzinho, depois passou para um new-metal… Aproveitei para tomar cerveja e descansar um pouco.

Aí foi a vez do Sonic Youth. Apesar das expectativas quanto a um possível último show do grupo, a apresentação não me agradou. Acho que é uma banda superestimada. Muito barulho e pouca melodia.

Depois desse show tive a curiosidade para ver o Primus. O grupo que tem como principal foco o som do baixo fez uma apresentação peculiar, assim como o som deles. Les Claypool, o excêntrico vocalista, praticamente não se comunicou com o público. O resumo é que a banda parecia um peixe fora d’água.

E chegou a hora do Megadeth. Dave Mustaine e sua trupe trouxeram um disco novo na bagagem. No entanto, com pouco tempo, 1 hora exatamente, não puderam mostrar muita coisa. Public Enemy Nº 1 e Whose Life (Is It Anyways)?, novas, mostraram que os americanos ainda tem muita lenha para queimar.

Menos de 5 minutos depois foi a vez do Stone Temple Pilots. Talvez uma das melhores bandas do grunge, o grupo desfilou clássicos dos anos 90 e mesmo com muita chuva agradou em cheio. Um dos melhores do festival.

Quase chegando ao final foi a vez do Alice In Chains, que estreava em solo brasileiro e com o vocalista Willian Duvall. Para muitos, a banda é grunge. Para mim fica entre o hard rock e o heavy metal. O grupo não decepcionou e tocou pesado sons como Rooster, No Excuses e Would?.

Para fechar veio o Faith No More. Com uma formação quase clássica, o grupo baseou o set no álbum Killing for a Day… Fool for a Lifetime, que é o trabalho mais eclético da banda. Mike Patton mostrou que está com a voz perfeita e com seus palavrões em bom português agradou a platéia. Ao final, a banda tocou com a orquestra de Heliópolis e fechou bem o festival.

Trocando em miúdos, o SWU foi bem legal. Apesar de sujeira, resultado também da falta de educação do público e da chuva, a parte musical (o que é mais importante) correspondeu às expectativas. Em 2012, o evento será no mesmo lugar e já rumores do que o Black Sabbath será a principal atração. Aguardemos.

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4 comentários em “SWU para todos [Verdades e mentiras sobre o evento]

  1. debondan disse:

    Acredita que meu marido tinha ingressos para o setor Vip e não fui á nenhum? Simplesmente pq eu NÃO SABIA disso.rs Quem adorou foi a família da funcionária da agência Mitsubishi, que estava na hora certa , no lugar certo com a pessoa certa, ELE , ao telefone, falando dos ingressos. A guria pediu e está eternamente grata pq amou ficar estirada em almofadões , comendo comidinhas e bebidas por conta. bjos ( a sujeitra é de amargar ) ( chegou meu Paul Bowles!!!)

  2. mari ebert disse:

    O povo não tem noção, cara… No RiR vandalizaram os banheiros… Mas que bom que, tirando isso, foi legal! Talvez no proximo eu vá, quem sabe… Gostaria de ter visto Inútil ao vivo (minha musica hahaha).

    bjão!

  3. ogasdacoca disse:

    As pessoas desconhecem o caminho das lixeiras e se comportam como porcos.
    Beijos

  4. ” Apesar de sujeira” ~ e o evento foi para quê mesmo??
    Acho super legal a ideia do evento, mas nem todos estão lá por causa disso =P
    Eu não assistir, até pq tirando uma banda, que nem conheço todas as músicas, não conhecia as bandas

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