Minha Releitura do Ano: O Amor, o deserto e a busca por respostas [O Céu que nos Protege]

– Adeus – disse o moribundo ao espelho que colocaram a sua frente.

– Não vamos mais nos ver.

Paul Valery.

[Eu havia encomendado alguns livros assim que cheguei a SP, mas com a demora e a falta do que fazer resolvi reler O Céu que nos Protege, apesar de ter me mudado para MG, deixei alguns livros de referencia aqui na minha antiga casa, este livro é um deles. Algumas pessoas podem achar ridículo reler um livro, mas vejo isso como uma redescoberta do livro. A pessoa que sou “Hoje” é diferente da que eu fui ontem, e minha percepção do livro também vai mudar. Para a minha surpresa esse livro continua maravilho e muito atual, na verdade me fascinou muito mais do que na primeira vez, se um dia puder ler, procure este livro, mas tenha a mente aberta, bons livros não são feitos para uma mente fechada]

Acabei de ler na tarde de ontem o livro: O céu que nos protege. Mais um daqueles casos que eu me apaixonei pela capa e comprei o livro, como nas outras ocasiões acabei me dando bem. O Livro foi escrito por Paul Bowles, um americano falecido no final de 1999, que viveu a maior parte da sua vida nos desertos do continente Africano.

Em toda a sua vida, esteve acompanhado de outros escritores e artistas. Que eram atraídos para sua casa, graças ao modo de vida de Bowles, que incluía o uso de drogas e as várias experiências sexuais. Bowles era amigo pessoal de Truman Capote e Tennessee Willians [outros grandes escritores da literatura americana].

O livro se passa inteiro no deserto Africano, e acompanha um casal Port e Kit [Morresby, achei bonito o som do sobrenome] e seu amigo Tunner. O casal está em uma crise de relacionamentodepois de dez anos juntos, o desejo sexual se esgotou o que restou é uma espécie de companheirismo acompanhado de um distanciamento moral.

Port é um aventureiro “boa vida”, nunca trabalhou uma única vez em sua vida, resolveu viajar o mundo e escolheu justamente a África, para escapar do final da guerra que ainda assola a Europa [me refiro a 2ª Grande Guerra].  Port no fundo ainda ama Kit, mas não sabe como reavivar o fogo desta paixão.

Apaixonado pela capa

Kit é uma mulher totalmente imprevisível e de temperamento instável, desde de pequena foi cercada de presságios que com o passar dos anos fica mais forte.  Apesar disso Kit tem idéias parecidas a de Port, mas Kit não sabe como se expressar perto de toda a pontêcialidade de Port.

Tunner é um amigo de longa data, um pouco mais jovem que o casal, vive a se divertir no meio do deserto, sempre em busca de sexo fácil e uma boa garrafa de espumante. Aos poucos Tunner começa a se interessar por Kit, “não por ela ser bela e sim por ter pena (ela ser mulher) e ele por estar entediado (e ser Homem).Como ele resume neste fragmento do texto.

Tunner aos poucos começa a se tornar um estorvo na tentativa de reconciliação, então Port tenta a cada momento afastar seu amigo. Entre estes bons personagens ainda surge um casal de trapaceiros que os segue em cada parada.

Se vc acha q este livro é um simples romance água com açúcar vc está totalmente enganado. Pq meio aos conflitos amorosos [desejos], estão também os conflitos morais e espirituais. Além do deserto e os problemas que eles enfrentam a cada cidade diferente.

Está viagem que tinha a função de unir o casal, vai mostrar todos os caminhos traiçoeiros que cercam a moral do “Ser Humano”. Ou como afirmava Thomas Hobbes:  “O Homem é o Lobo do Homem”


O livro é muito bem escrito, e sua trama apesar de complexa e cheia de pequenas histórias permanece sempre bem amarrada ao livro.

Vou deixar aqui duas passagens do livro:

O grito dele prosseguiu sobre a imagem final: Manchas de sangue cru e vermelho sobre a terra. Sangue sobre excremento. O momento supremo, muito acima do deserto, quando dois elementos, sangue e excremento, há muito mantidos separados, se fundem. Uma estrela negra aparece, um ponto de escuridão na claridade do céu noturno. Ponto de escuridão e portal para o repouso. Estenda a mão, penetre o tecido fino do céu que nos protege, repouse.

Esta segunda passagem é Kit relembrando um dos seus diálogos com Port, depois de um belo dia de verão em um dos jardins da Europa.

Port havia dito: A morte está sempre a caminho, mas o fato de você não saber quando vai chegar parece depreciar a finitude da vida. É essa terrível precisão que nós tanto detestamos. Mas, por não sabermos, passamos a pensar na vida como um poço inesgotável. No entanto, as coisas acontecem só um certo número de vezes e um número muito pequeno na verdade. Quantas vezes mais você se relembrará uma certa tarde de sua infância, alguma tarde que é tão profundamente parte do seu ser que você não consegue nem conceber sua vida sem ela? Talvez quatro ou cinco vezes mais. Talvez mesmo nunca. Quantas vezes mais você vai ver a lua cheia nascer? Talvez vinte. E, no entanto, tudo parece ilimitado.

O Céu que nos protege de Paul Bowles pode ser encontrado em qualquer livraria pelo valor médio de 42,00 Reais.

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6 comentários em “Minha Releitura do Ano: O Amor, o deserto e a busca por respostas [O Céu que nos Protege]

  1. debondan disse:

    Um dos meus filmes preferidos. Sempre que passa ,assisto. Preciso ler o livro, urgentemente.
    O texto final ,a fala de Port sempre me deixou pensando. John Malkovich e Debra Winger dão show ! Vou comprar hoje o livro! Brigaduuuuuu

  2. ogasdacoca disse:

    parece um bom livro. os trechos que você colocou são astante poéticos. Curti

  3. debondan disse:

    Pronto! Acabei de comprar o livro .Agora é só aguardar. Que bom q me lembrou. Te devo uma !
    bjos ( ah, tenho q providenciar o post do livro )

  4. O mundo de Assim...Assim... disse:

    Encantada com sua frase: “A pessoa que sou “Hoje” é diferente da que eu fui ontem, e minha percepção do livro também vai mudar.” Adoro ler um livro que gosto mais de uma vez pela mesma percepção que você.
    E aqui, sempre tive a curiosidade de ler esse livro. Será minha próxima vítima meu querido.
    Bjs Bjs!!!

  5. Larissa disse:

    Nossa, me parece tão lindo esse livro. Alguém morre no final? A narração é muito boa. Meu pai é cheio dos livros, então dá pra perguntar pra ele se ele tem!
    Valeu a dica, Ferds! 🙂
    Beeijos.

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