Um crítico da cultura Americana (Arthur Miller o Caixeiro Viajante e outras 4 Peças)

Você se especializa em alguma coisa até um dia descobrir que a coisa se especializou em você.” Arthur Miller

Em Dezembro do ano passado, participei de algumas comemorações de Amigo Secreto. Em uma delas acabei ganhando um livro que eu já tinha [A Trégua de Mario Benedet, clique aqui e leia sobre o livro].

Como foi comprado na Saraiva [a pessoa sabe que eu gosto da loja] fiz a troca, no momento eu não sabia o que levar. Até que vi a bela capa do livro do Dramaturgo Arthur Miller.

[Sim eu me apaixono pela capa]

Outro motivo que me ajudou na compra, foi uma matéria lida no Caderno2 do Estado, meses antes, falando do lançamento de livros com formato de peça de teatro.

De inicio fiquei com receio pq a única coisa que tinha lido em forma de peça foram alguns manuscritos de Shakespeare. Arrisquei e comprei o livro.

Devorei o livro, pela maneira simples de se ler e como a riqueza de detalhes [cenário e até a entonação do personagem] ajuda a imaginação a reproduzir o ambiente do texto.

Outro detalhe que me chamou atenção é como o texto é atual. Miller sempre denunciou em seus textos o ideal do “Sonho Americano“, seus personagem são carregados de uma imensa carga emocional. E alguns deles chegam a encarnar o perdedor como o que acontece com Willi Lohman [o personagem principal] de o caixeiro viajante.

Em outro conto, Miller apresenta o sujeito de sorte, onde a critica cai sobre a tendência do homem se considerar uma marionete do Destino e não agente da sua própria Ruína ou Fortuna: “Um Homem de Sorte” foi escrita em 1940 e conta a história de David Beeves, um mecânico automotivo “abençoado” por uma incrível boa sorte, enquanto seu irmão é “abençoado” com o azar, com o tempo Beeves acaba acreditando que sua sorte traz a infelicidade para as outras pessoas.

Outra peça, “Todos Eram meus Filhos” conta a história de Joe Keller, um típico pai de família que se vê responsável pela morte de pilotos americanos na Segunda Guerra – seu filho Larry incluí-do – depois de vender peças defeituosas ao Exército. Joe Keller coloca a culpa em outro homem, este homem é pai do grande amor de Larry. Por sua vez esse amor era “a prometida” do irmão mais velho de Larry que também morreu pelo erro do pai. Com o uso da metáfora, onde o motor defeituoso, seria a vontade cada vez maior do povo americano de sustentar as guerras.

Sua “Obra Prima”:“A Morte de um Caixeiro-viajante” subverte a clássica história da queda trágica do herói para contar a história de Willy Loman, um vendedor de sessenta e poucos anos que vê sua vida familiar e profissional sucumbir à revelia de sua ilusão de grandeza. Willy crê representar o típico herói do sonho americano, por mais que o relativo fracasso de sua vida deponha em contrário. A ambígua relação de dependência com o filho Biff, no qual projeta o sucesso que ele próprio gostaria de ter alcançado, é o principal conflito da trama.

 

“Um Panorama visto da Ponte”, encenada pela primeira vez em 1955, gira ao redor de uma família de imigrantes italianos que vivem num bairro sob a Ponte do Brooklyn, numa comunidade pautada pelos códigos sociais dos sicilianos. A espiral trágica do estivador Eddie Carbone tem início quando dois parentes de sua esposa chegam da Itália e um deles se envolve com sua afilhada, Catherine.

As Bruxas de Salém” é baseada em eventos verídicos que ficaram conhecidos como os Julgamentos das Bruxas de Salém. No ano de 1692, em Massachusetts, cerca de 150 pessoas foram processadas por bruxaria, resultando em várias execuções. Escrita no início dos anos 1950, a peça é uma alegoria do macarthismo, perseguição anticomunista empreendida nos Estados Unidos nesse período, e da qual Miller foi vítima, quando o interrogaram e condenaram por não denunciar os colegas comunistas. O próprio Miller adaptou a peça para o cinema em 1996, em produção estrelada por Daniel Day-Lewis e Winona Ryder.

Vale a pena ler esta coleção de Peças de Arthur Miller que apesar de serem escritas a mais de 40 anos continuam atuais.