Não Pode Faltar Na Sua Estante [Cinema]: Quentin Tarantino

“Sempre pensei que o cinema foi inventado para mostrar gente se matando e se beijando.” Tarantino

Chegou no inicio do mês, mais um livro que não pode faltar na sua estante. Quentin Tarantino, o polêmico [e agora amado] diretor de Hollywood, ganhou um guia de seus filmes. O livro serve como guia na carreira do diretor, passando pelos seus tempos nada gloriosos como ator [sim ele fez alguns] e mostrando sua entrada no mundo como roteirista e diretor.

O Livro chegou ao Brasil na hora certa, porque já faz 20 anos que Cães de Aluguel [primeiro sucesso do diretor] chegou aos cinemas do mundo todo, quem conta sobre a trajetória do diretor é o famoso Paul A. Woods um perito em cinema que recentemente escreveu um livro sobre outra lenda do cinema moderno: Tim Burton [O estranho Mundo de Tim Burton]. Woods vasculhou todo o passado do diretor, além de resgatar todas as críticas dos principais jornais da época.

Por meio dessas críticas vemos como o diretor foi ganhando mais espaço na mídia e ganhando crédito com os críticos e criando uma legião de fãs, para se ter uma ideia, em 1992 o diretor esteve em São Paulo para divulgar o filme Cães de Aluguel, o filme fez sucesso por aqui, mas a maioria dos meios de comunicação não deu bola para o diretor, fazendo sua passagem pelo Brasil passar em branco.

As críticas publicadas, não servem só como termômetro de popularidade, ela serve para mostrar como a violência que esteve sempre presente em seus filmes era recebida pelo público, como no caso da famosa cena de tortura em “Cães de Aluguel” [1992] à elevação da “mesma violência” a um nível Cult na homenagem a filmes de artes marciais em “Kill Bill – Volume 1” [onze anos depois].

Outra grande sacada do livro são os comentários do diretor sobre seus filmes, os comentários são retirados de entrevistas. Como a declaração de Tarantino sobre Pulp Fiction:

“As pessoas me perguntam de onde tirei a história da overdose: o resumo é que cada junkie, ou pessoa que experimentou heroína para valer, tem uma versão dessa história – eles quase morreram, outra pessoa quase morreu e eles a trouxeram de volta com água salgada ou a colocaram numa banheira, ou a fizeram saltar com uma bateria de carro”

O livro é muito legal para quem gosta de cinema ou apenas do Diretor, o livro que chega por aqui pela editora Leya [Clube da Luta e Drive] infelizmente a editora não fez um bom trabalho com a edição, por ser um livro sobre cinema ele merecia um tratamento gráfico bem melhor.

 

Quentin Tarantino

Autor: Paul A. Woods

Editora: Leya

Páginas: 384

Por volta de 44,00 Reais

Voltamos na Sexta com muito mais…

Não pode faltar na sua Estante [Fotografia]: Pilgrimage

“Sim, nada mais sou do que um viajante, um peregrino sobre a terra! E você é alguma coisa mais do que isso?” Goeth em dialogo do livro: Os sofrimentos do jovem Werter

 

O carnaval acabou tudo começa a engrenar novamente, e o Blog tb. Pra compensar a ausência, teremos post hoje, amanhã e Domingo. Depois na semana que vem, voltamos com a programação normal. E na próxima quinta, post lá no turmadocafe.com, se você não conhece ainda, tá perdendo tempo.

O “Não pode faltar na sua estante” de hoje é focado em fotografia, mais precisamente em Annie Leibovitz, que recentemente lançou seu mais novo livro, mas só agora ele chegou as livrarias brasileiras [Antes só adquirido via Amazon]. Seu novo livro se intitula Pilgrimage [peregrinação].

Parte interna do livro

O título diz tudo sobre o livro, pois dessa vez Annie olha para dentro de si e esquece o mundo dos retratos e inicia uma volta ao mundo por meio da fotografia, mas com a a idéia de que as coisas ficam, mas as pessoas não.

Esse trabalho que foi idealizado a mais de oito anos, só foi produzido agora, por conta de todo o turbilhão que a artista tem enfrentado, primeiro com a morte de sua parceira, a escritora Susan Sontag e depois por estar sendo processada pelo o grupo Art Capital Group alegando que ela devia milhões em empréstimos e honorários, além de outras várias dívidas adquiridas ao longo de sua carreira.

O divã de Sigmund Freud

 

A Tv baleada por Elvis

Apesar do projeto ser antigo, Annie levou apenas 3 anos para tirar todas as fotos e reunir em um livro. Durante todo o tempo que trabalhou no livro, Annie sempre foi aconselhada a parar e desistir de tudo: “Constantemente me diziam que este livro não traria dinheiro e que eu deveria deixá-lo de lado, mas eu realmente queria fazê-lo. Eu precisava salvar minha alma”.

Além da fotografia tirada nas Cataratas do Niágara [que ilustra a capa do livro], livro traz imagens da casa da escritora Virginia Woolf, do famoso divã de Sigmund Freud, da coleção de espécimes do biólogo Charles Darwin e do único vestido que sobreviveu ao tempo da escritora Emily Dickinson, as luvas que estavam no bolso de Abraham Lincoln no dia em que foi assassinado e a TV que Elvis deu um tiro em uma tarde dos anos 70.

Quarto de Virginia Wolf

Todas as fotos foram tiradas com máquina digital, [barateando os custos de produção e edição do livro] mesmo usando esse novo recurso as fotos ficaram magníficas. Lá fora além do lançamento do livro as fotos ganharam uma bela exposição no Smithsonian American Art Museum ,em Washington. Por aqui não existe previsão e nem planos para a montagem da exposição.

Annie no dia da exposição

Então se você gosta de fotografia, e quer ver um lado mais profundo de Annie Lebovitz vá à livraria adicione esse livro a sua biblioteca.

 

Pilgrimage

Autor: Leibovitz, Annie

Editora: Random House Inc

Páginas: 246

Preço: Em torno de 110 Reais.

 

 

Não pode faltar na sua Estante [ARTE]: Frida a Biografia

“Para que preciso de pés quando tenho asas para voar?” Frida Kahlo

Começa hoje uma nova categoria no malditovivant, aqui eu indico livros, clássicos ou lançamentos, que não pode faltar na estante de ninguém que goste de Arte, Musica, Filmes, literatura, história ou política. O Primeiro post é voltado para o mundo da arte, mas isso não impende que no futuro o livro vire um post fora dessa categoria.

Vamos começar…

Para quem entende ou ao menos gosta de arte, sabe a importância de Frida Kahlo para o surrealismo, e finalmente chegou ao Brasil a sua biografia oficial, o livro foi originalmente lançando em 1983, mas só agora foi traduzido [Graças a Renato Marques] e lançado pela editora Globo.

O livro foi escrito por Hayden Herrera [famosa historiadora de arte] especializada em América Latina e foi com base nesta densa obra que o roteiro para o cinema foi desenvolvido [se você ainda não viu o filme  está perdendo].

O Trabalho que consumiu alguns anos da vida da historiadora, o livro tem 624 páginas e dentro delas você encontra toda a trajetória de Frida, além de mostrar detalhadamente todos os quadros da artista, junto com seus cadernos de esboços e fotos do acervo particular da artista.

O livro é recheado de interessantes notas sobre a vida de Frida, a autora conduz instigantes descrições dos quadros. Um exemplo é “Umas facadinhas de nada” [Quadro de 1935] baseada numa nota das páginas policiais:

Um homem bêbado matou a namorada com vinte facadas, sem nenhuma razão aparente, e disse à polícia que deu apenas “umas facadinhas nela”.

Na tela, a imagem é assustadora e a forma como é narrada por Hayden a torna fascinante:

“Como em algumas representações de Jesus descido da cruz, um dos braços da mulher está caído, a palma da mão, ferida e sangrando, aberta na direção do observador.”

A autora faz também uma interpretação política do quadro ao apontar para o fato de, numa forma de revolta ao padrão machista que fazia desse um crime banal no México dos anos 1930, Frida mantém o autor das facadas de pé diante do corpo da vítima.

Hayden ainda narra o quadro pela perspectiva biográfica, pela qual Frida projeta seu próprio sofrimento na imagem da mulher esfaqueada:

“Como se a dor imediata fosse imensa demais para ser registrada, pintou ‘Umas facadinhas de nada’, retratando não a sua própria experiência, mas seu sofrimento projetado na desgraça da outra mulher.”

O texto de Hayden é uma combinação de especialista acadêmica com um olhar de uma fã apaixonada por seu ídolo, mas sem esse segundo atrapalhar ou distorcer a realidade. Essa combinação é muito bem dosada no livro inteiro e podemos ver isso nesse fragmento do livro, em que a autora fala do lesbianismo da artista

“Juntamente com o amor-próprio e dualidade psíquica, é sugerido pelos auto-retratos duplos e emerge em muitas pinturas como um tipo de atmosfera, uma sensualidade tão profunda que era desprovida de polaridades sexuais convencionais, uma fome de intimidade tão urgente que ignorava o gênero.”

 

Então se você gosta de arte, ou é apenas um apaixonado por Frida, corra pra a livraria e compre mais um livro que não pode faltar na sua estante [Ele já está na minha lista de aquisições para 2012].

Frida – A Biografia

Autor:  Hayden Herrera

Editora: Globo Livros

Tradutor: Renato Marques

Páginas: 624 páginas

Preço: por volta de 60 reais.