Não pode faltar na sua Estante [Fotografia]: Pilgrimage

“Sim, nada mais sou do que um viajante, um peregrino sobre a terra! E você é alguma coisa mais do que isso?” Goeth em dialogo do livro: Os sofrimentos do jovem Werter

 

O carnaval acabou tudo começa a engrenar novamente, e o Blog tb. Pra compensar a ausência, teremos post hoje, amanhã e Domingo. Depois na semana que vem, voltamos com a programação normal. E na próxima quinta, post lá no turmadocafe.com, se você não conhece ainda, tá perdendo tempo.

O “Não pode faltar na sua estante” de hoje é focado em fotografia, mais precisamente em Annie Leibovitz, que recentemente lançou seu mais novo livro, mas só agora ele chegou as livrarias brasileiras [Antes só adquirido via Amazon]. Seu novo livro se intitula Pilgrimage [peregrinação].

Parte interna do livro

O título diz tudo sobre o livro, pois dessa vez Annie olha para dentro de si e esquece o mundo dos retratos e inicia uma volta ao mundo por meio da fotografia, mas com a a idéia de que as coisas ficam, mas as pessoas não.

Esse trabalho que foi idealizado a mais de oito anos, só foi produzido agora, por conta de todo o turbilhão que a artista tem enfrentado, primeiro com a morte de sua parceira, a escritora Susan Sontag e depois por estar sendo processada pelo o grupo Art Capital Group alegando que ela devia milhões em empréstimos e honorários, além de outras várias dívidas adquiridas ao longo de sua carreira.

O divã de Sigmund Freud

 

A Tv baleada por Elvis

Apesar do projeto ser antigo, Annie levou apenas 3 anos para tirar todas as fotos e reunir em um livro. Durante todo o tempo que trabalhou no livro, Annie sempre foi aconselhada a parar e desistir de tudo: “Constantemente me diziam que este livro não traria dinheiro e que eu deveria deixá-lo de lado, mas eu realmente queria fazê-lo. Eu precisava salvar minha alma”.

Além da fotografia tirada nas Cataratas do Niágara [que ilustra a capa do livro], livro traz imagens da casa da escritora Virginia Woolf, do famoso divã de Sigmund Freud, da coleção de espécimes do biólogo Charles Darwin e do único vestido que sobreviveu ao tempo da escritora Emily Dickinson, as luvas que estavam no bolso de Abraham Lincoln no dia em que foi assassinado e a TV que Elvis deu um tiro em uma tarde dos anos 70.

Quarto de Virginia Wolf

Todas as fotos foram tiradas com máquina digital, [barateando os custos de produção e edição do livro] mesmo usando esse novo recurso as fotos ficaram magníficas. Lá fora além do lançamento do livro as fotos ganharam uma bela exposição no Smithsonian American Art Museum ,em Washington. Por aqui não existe previsão e nem planos para a montagem da exposição.

Annie no dia da exposição

Então se você gosta de fotografia, e quer ver um lado mais profundo de Annie Lebovitz vá à livraria adicione esse livro a sua biblioteca.

 

Pilgrimage

Autor: Leibovitz, Annie

Editora: Random House Inc

Páginas: 246

Preço: Em torno de 110 Reais.

 

 

Johnny Ramone sem censura!

“Aprendi muito cedo a nunca deixar meus fãs decepcionados. São os fãs que dão um monte de felicidade.” Johnny Ramone.

Quando se fala em Punk rock, logo nos lembramos de The Clash, Sex Pistols e claro Ramones, a banda que surgiu 1974, logo alcançou sucesso com suas músicas rápidas e letras explosivas e isso popularizou o PunkRock, sua maneira de se vestir é copiada até hoje, tanto que o jeans rasgado, a camisa básica, o AllStar preto junto com a jaqueta de couro são lembrados como o uniforme de “um Ramone”.

Rock de verdade

Por trás de toda essa atitude, existia uma mente autoritária, esse era Johnny Ramone, apesar de Joey ser o Frontman da banda, quem dava as cartas era Johnny. Ele criou o estilo Ramone de ser, e também criou o uniforme da banda. Foi de Johnny a idéia de acrescentar o sobrenome Ramone em todos os integrantes, dando uma idéia de família.

E para os fãs da banda, ou mesmo quem gosta de Rock, chega em abril a biografia de Johnny Ramone, A obra vai da infância do músico aos problemas de saúde que o vitimariam [falecido em conseqüência de um câncer de próstata, em 2004], o livro também abordando também a vida amorosa do guitarrista com a sua mulher, Linda, que antes havia namorado com Joey Ramone.

A “traição” [aos olhos de Joey] provocou o corte de relações entre o vocalista dos Ramones e o guitarrista, no início dos anos 80 conflito que, contudo, não impediu que a banda prosseguisse atividade até 1996, mas acabou afetando muito o desempenho da banda.

O livro ainda conta curiosidades da banda, e as influências de Johnny [New York Dolls, Stooges, Motörhead, MC5, The Who, David Bowie] e seus outros trabalhos como produtor musical.

Eu não sou um viciado em Ramones, e muito menos ando por ai de Jeans rasgado e AllStar [Mentira eu tenho um preto que uso bastante], mas gosto muito de alguns discos da banda: Ramones [1976], Rocket Russia [1977] e Brain Drain [1989] do qual me orgulho de ter o Vinil e que sempre acabo tocando no meu toca-disco.

Assim que eu comprar o livro, eu prometo um novo post, sobre o grande Johnny Ramone.

Esse foi o som que eu conheci a banda, apesar de ser muito bom é o som errado para se conhecer Ramones.

Amanhã tem post lá no turmadocafe.com e sexta por aqui.

Folha conta a história do País em fotos [Coleção Folha Fotos Antigas do Brasil]

“Uma fotografia é um segredo de um segredo. Quanto mais ela te fala, menos você sabe.” Diane Arbus

O Grupo Folha acerta mais uma vez na escolha das suas coleções. Depois de investir em arte [Pintores Clássicos], Musica [Jazz] e arquitetura [Arquitetos de todo o mundo], a Folha traz uma coleção que visa contar a história do nosso Brasil, pelas lentes de quem acompanhou toda a transformação do nosso país.

A coleção Folha, com 20 volumes organizados de forma temática, procura mostrar grandes acontecimentos e cenas do cotidiano do país. Trata-se, portanto, de uma história ilustrada uma história da sociedade, do cotidiano, da economia e da política do país contada por intermédio da fotografia.

A coleção registra as mudanças do Brasil entre 1840 e 1960, para montar esse projeto a coleção buscou nos acervos históricos do Instituto Moreira Salles, o Arquivo do Estado de São Paulo, a Fundação Pierre Verger e o Museu Paulista.

Foram recuperadas mais de 900 fotos para compor a coleção, as fotos estão a cargo de nomes como o francês Marc Ferrez, Augusto Malta e até outras tiradas pela lente antropológica de Pierre Verger. Além desses nomes famosos, muitas fotos foram tiradas por anônimos.

Temas dos livros:

  1. São Paulo
  2. Comércio
  3. O Povo Brasileiro
  4. O Brasil Rural
  5. Crenças e Templos
  6. Festas Populares
  7. Imigrantes
  8. Guerras e Batalha
  9. As Cidades
  10. A Indústria
  11. Cotidiano
  12. Transportes
  13. Protestos e Passeatas
  14. Sertão
  15. Obras e Construções
  16. O Café
  17. Litoral
  18. Dinheiro e Poder
  19. Arquitetura
  20. Paisagens

A coleção que começou no domingo passado, ainda pode ser encontrada nas bancas, o preço de cada volume é de 15,90. Ou você pode entrar no site da Folha e comprar a coleção completa por 254,40 Reais [Assinante] ou 302 aos demais leitores.

Quarta estamos de volta com post novo.

 

Se encontrando dentro de seu mundo [Absolvição]

“Somente diante de duas coisas somos todos iguais: a lei e a morte”

Esta é a minha primeira resenha de livro neste ano para o Blog, mas esse livro eu li nas últimas semanas de 2011, só que enrolei um pouco para fazer o post, dada a correria das festas e tudo mais.

Escritor e Professor de Cinema

Absolvição é o primeiro trabalho lançado no Brasil do escritor Italiano Antonio Monda, o livro reflete as difíceis escolhas do dia a dia, escolhas essas que definem nossas vidas e que sequer damos conta disso, Monda, tem um modo simples e direto de escrita, tornando o livro prazeroso, e por ser formado em cinema, o escritor adora citar seus filmes prediletos dentro dos diálogos, levando o leitor a procurar os filmes citados.

O Livro se passa em Nápoles onde Andrea Marigliano, um jovem ambicioso, que deixa seu vilarejo no sul da Itália para seguir carreira de advogado na cidade grande. Esforçado, é contratado pelo escritório do lendário professor Scalia, [o maior criminalista do sul], um homem aos velhos modos, que segue rigorosamente a ética e considera que ninguém é culpado até que se prove o contrário.

Aos olhos do mundo, Scalia não é mais o mesmo. Após um caso onde defendeu a máfia foi acusado injustamente de envolvimento, com isso perdeu muito prestigio em seu meio, seu comportamento adultero o levou a ser abandonado pela mulher. E agora, morando sozinho e afastado da família, tem de lutar contra uma doença fatal.

Andrea vê no professor a figura de um mentor e por vezes de um amigo [já que se sente muito sozinho], com a chegada de um caso de estupro em uma pequena cidade Italiana, Andrea acaba relembrando seu passado humilde e que a todo custou tentou esquecer. Ao mesmo tempo em que Scalia, deve rever seu maior rival dos tribunais e lutar contra a doença que a cada dia que passa avança mais.

“Mais tarde, em casa, senti que havia omitido a palavra solidão porque era a que me tocava mais de perto, e que talvez mais do que qualquer outra havia me ligado ao professor. Senti todo o seu peso quando escutei o segundo movimento do K.488, quando liguei a tevê em busca de nada e quando comecei a imaginar diante de mim todas as mulheres que eu jamais teria.”

O Livro tem uma história bem leve e envolvente, Andrea lembra um pouco Meursault de O Estrangeiro [Alberto Camus] Clique aqui e leia. Se você procura um livro bem leve para esses últimos dias de férias Absolvição é o seu livro.

5 razões para…[Comprar Livros]

“Onde se queimam livros, acaba-se queimando pessoas.” Heinrich Heine

 

Fazia tempo que eu não usava essa TAG, na verdade quase um ano. Sempre pensava no tema, mas acabava desistindo de fazer, então vamos lá.

 

A discussão sobre os livros tem aumentado bastante, desde que os Tablets invadiram as prateleiras, o aparelho promete revolucionar o modo de ler livros, com a possibilidade de ter vários exemplares sempre a disposição do leitor, e ainda a um preço baixo. No Brasil o mercado de E-books não é tão grande como lá fora, mas já vemos alguns sites se especializando nisso, e até sites de livrarias vendendo o conteúdo digital.

Eu tenho um Tablet, mas ainda acho cansativo, a única coisa que eu consigo ler mesmo é o jornal, mas não dispenso ir à banca no domingo e ler o jornal físico, deitado no sofá. Mas tem gente que prefere a comodidade. Agora vou elencar 5 boas razões para comprar livros.

 

1º Prazer de procurar um livro: Legal você entra no site, vai ao buscador e digita o nome do livro, baixou pronto acabou. Isso basta pra você? Para mim não, tem que ter uma interação, O legal é ir até a loja procura o livro, conversa com a vendedora ai ela te conta algo sobre o escritor [Em geral quem trabalha em livraria entende de Livros]. Certo você não achou na Livraria, procura um sebo, o cara que trabalha no sebo vai te indicar uma pilha de livros. Você procura na pilha, conhece outros, barganha o preço do livro, leva para casa e já tem uma história com ele. [Viu o quanto de diversão você pode perder?]

 

Já perti horas e Horas em sebos

2º Todo livro guarda uma história: Não estou falando do seu conteúdo. A maioria dos meus livros tem uma história paralela, dou um exemplo: sempre que eu termino com alguma garota, eu acabo comprando um livro, isso me ajuda a ocupar a cabeça e não ficar pensando em tudo. Eu vou para uma cidade diferente, eu acabo passando em uma livraria e comprando um livro. Às vezes quando eu pego um livro na minha estante me lembro de fatos que ocorreram na época do livro. E o mais legal, seu tipo de leitura reflete na fase da sua vida, quando eu era mais novo só lia romance policiais, e pocket books [eu não tinha grana, para comprar livro grande] e assim vai.

3º A capa: Pode parecer bobo, mas é uma coisa que acontece comigo, eu gosto de ir na livraria dar uma volta, olhar os livros e comprar apenas pela beleza da capa. Sem ler a sinopse ou mesmo “a orelha” o livro. Gosto muito do trabalho dos ilustradores, vejo alguns como verdadeiras obras de arte. Em geral sempre dou sorte com livro comprado pela capa, foi assim que eu conheci Phillip Routh, achei linda a capa do livro Homem Comum. Imagina como é sem graça a capa de um livro na tela do computador.

 

Apaixonado pela capa

4º Facilidade de ler um livro físico: Já viu como é complicado ler um E-book? Você ta lendo o livro no computador aquela luz forte da tela acaba cansando você, sem contar que temos os ícones da distração por todos os lados, logo você para o livro e entra em algum site, e desse site você pula para outro e outro, quando você percebe sumiu o e-book.

5º Reler: Certo, te convenci a não comprar e-books, mas você pode optar por alugar na biblioteca, legal esse já é o caminho. Ter é ainda melhor. Você sempre pode consultar o livro, às vezes você viu alguma referência em algum filme ou algo do tipo, o livro ta na mão para consulta. E outra reler um livro é sempre uma experiência prazerosa, você não é a mesma pessoa de quando leu o livro pela primeira vez, quando for reler o livro, sua opinião sobre ele vai mudar também.

Sonho de consumo

Aqui foram cinco boas razões para comprar livros, dá uma lida e reflita sobre o assunto, até Segunda e bom final de semana.

 

Minha Releitura do Ano: O Amor, o deserto e a busca por respostas [O Céu que nos Protege]

- Adeus – disse o moribundo ao espelho que colocaram a sua frente.

- Não vamos mais nos ver.

Paul Valery.

[Eu havia encomendado alguns livros assim que cheguei a SP, mas com a demora e a falta do que fazer resolvi reler O Céu que nos Protege, apesar de ter me mudado para MG, deixei alguns livros de referencia aqui na minha antiga casa, este livro é um deles. Algumas pessoas podem achar ridículo reler um livro, mas vejo isso como uma redescoberta do livro. A pessoa que sou “Hoje” é diferente da que eu fui ontem, e minha percepção do livro também vai mudar. Para a minha surpresa esse livro continua maravilho e muito atual, na verdade me fascinou muito mais do que na primeira vez, se um dia puder ler, procure este livro, mas tenha a mente aberta, bons livros não são feitos para uma mente fechada]

Acabei de ler na tarde de ontem o livro: O céu que nos protege. Mais um daqueles casos que eu me apaixonei pela capa e comprei o livro, como nas outras ocasiões acabei me dando bem. O Livro foi escrito por Paul Bowles, um americano falecido no final de 1999, que viveu a maior parte da sua vida nos desertos do continente Africano.

Em toda a sua vida, esteve acompanhado de outros escritores e artistas. Que eram atraídos para sua casa, graças ao modo de vida de Bowles, que incluía o uso de drogas e as várias experiências sexuais. Bowles era amigo pessoal de Truman Capote e Tennessee Willians [outros grandes escritores da literatura americana].

O livro se passa inteiro no deserto Africano, e acompanha um casal Port e Kit [Morresby, achei bonito o som do sobrenome] e seu amigo Tunner. O casal está em uma crise de relacionamentodepois de dez anos juntos, o desejo sexual se esgotou o que restou é uma espécie de companheirismo acompanhado de um distanciamento moral.

Port é um aventureiro “boa vida”, nunca trabalhou uma única vez em sua vida, resolveu viajar o mundo e escolheu justamente a África, para escapar do final da guerra que ainda assola a Europa [me refiro a 2ª Grande Guerra].  Port no fundo ainda ama Kit, mas não sabe como reavivar o fogo desta paixão.

Apaixonado pela capa

Kit é uma mulher totalmente imprevisível e de temperamento instável, desde de pequena foi cercada de presságios que com o passar dos anos fica mais forte.  Apesar disso Kit tem idéias parecidas a de Port, mas Kit não sabe como se expressar perto de toda a pontêcialidade de Port.

Tunner é um amigo de longa data, um pouco mais jovem que o casal, vive a se divertir no meio do deserto, sempre em busca de sexo fácil e uma boa garrafa de espumante. Aos poucos Tunner começa a se interessar por Kit, “não por ela ser bela e sim por ter pena (ela ser mulher) e ele por estar entediado (e ser Homem).Como ele resume neste fragmento do texto.

Tunner aos poucos começa a se tornar um estorvo na tentativa de reconciliação, então Port tenta a cada momento afastar seu amigo. Entre estes bons personagens ainda surge um casal de trapaceiros que os segue em cada parada.

Se vc acha q este livro é um simples romance água com açúcar vc está totalmente enganado. Pq meio aos conflitos amorosos [desejos], estão também os conflitos morais e espirituais. Além do deserto e os problemas que eles enfrentam a cada cidade diferente.

Está viagem que tinha a função de unir o casal, vai mostrar todos os caminhos traiçoeiros que cercam a moral do “Ser Humano”. Ou como afirmava Thomas Hobbes:  “O Homem é o Lobo do Homem”


O livro é muito bem escrito, e sua trama apesar de complexa e cheia de pequenas histórias permanece sempre bem amarrada ao livro.

Vou deixar aqui duas passagens do livro:

O grito dele prosseguiu sobre a imagem final: Manchas de sangue cru e vermelho sobre a terra. Sangue sobre excremento. O momento supremo, muito acima do deserto, quando dois elementos, sangue e excremento, há muito mantidos separados, se fundem. Uma estrela negra aparece, um ponto de escuridão na claridade do céu noturno. Ponto de escuridão e portal para o repouso. Estenda a mão, penetre o tecido fino do céu que nos protege, repouse.

Esta segunda passagem é Kit relembrando um dos seus diálogos com Port, depois de um belo dia de verão em um dos jardins da Europa.

Port havia dito: - A morte está sempre a caminho, mas o fato de você não saber quando vai chegar parece depreciar a finitude da vida. É essa terrível precisão que nós tanto detestamos. Mas, por não sabermos, passamos a pensar na vida como um poço inesgotável. No entanto, as coisas acontecem só um certo número de vezes e um número muito pequeno na verdade. Quantas vezes mais você se relembrará uma certa tarde de sua infância, alguma tarde que é tão profundamente parte do seu ser que você não consegue nem conceber sua vida sem ela? Talvez quatro ou cinco vezes mais. Talvez mesmo nunca. Quantas vezes mais você vai ver a lua cheia nascer? Talvez vinte. E, no entanto, tudo parece ilimitado.

O Céu que nos protege de Paul Bowles pode ser encontrado em qualquer livraria pelo valor médio de 42,00 Reais.

Livro A Outra Volta do Parafuso [Muito mais que fantasmas]

“Não há mentira pior do que uma verdade mal compreendida por aqueles que a ouvem.” Henry James.

Antes de falar do livro, devo contar como descobri a sua existência. Eram meados de 1998 a Directv [finada empresa de Tv por satélite] havia chegado na minha casa, um ano antes o milagre da Tv a cabo já tinha chegado na minha vida [mas com a analógica TVA] A Directv trazia uma novidade para todos, não dependíamos mais da revistinha para saber o nome do filme e muito menos para saber a sua sinopse, na época o recurso era mais que novo, hoje em dia é apenas mais uma comodidade.

Em uma das tardes sozinho em casa comecei a assistir a um filme chamado os Inocentes, a sinopse contava que o filme era baseado em um clássico da literatura inglesa, escrito por Henry James que se chamava: A Outra Volta do Parafuso.

Fiquei com esse nome na cabeça [durante anos], no mês passado ele me apareceu, eu estava matando tempo na Saraiva, quando achei A Outra Volta do Parafuso, tive que comprar o livro na hora.

Um Livro de leitura simples e história envolvente, ele começa com um encontro de amigos que resolvem contar histórias assustadoras, um deles diz que conhece a história mais macabra de todos os tempos, mas para contar a história ele precisa que passem a noite na casa e esperem pelo pergaminho do conto.

Este pergaminho foi escrito pela protagonista da história que confiou ao jovem os relatos dos acontecimentos que ocorreram quando ela trabalhou de tutora em uma propriedade em Bly.

A jovem tutora deveria cuidar dos dois sobrinhos do seu empregador, ao ser contratada ela recebe instruções simples de seu empregador, ele não queria ser importunado de maneira nenhuma, ela deveria resolver os problemas por sozinha.

Chegando a Bly conhece a pequena Flora, que logo a identifica como “a garota mais doce do mundo”, seu outro protegido chegaria dois dias depois, após ser expulso da escola, sem nunca se saber o real motivo. O mistério começa quando a jovem tutora vê uma figura sinistra no alto da torre.

Esse livro se tornou um clássico pelo teatro de sombras que Henry James cria, onde não sabemos o que é real ou apenas parte do imaginário da jovem tutora [personagem fica sem nome no livro].

O Livro foi lançado pelo selo da Penguin junto com a Companhia das Letras.

A vida de um verdadeiro Rock Star!

“Eu era um garoto branco de Yonkers, tentando ficar doidão, tentando ser cool” Steven Tyler.

Nesta sexta, chega as livrarias a biografia oficial do vocalista do Aerosmith Steven Tyler, fugindo um pouco das costumeiras polêmicas do mercado de Biografia, o livro conta a formação do personagem que se tornaria o vocalista de Band Leader do Aerosmith. A imagem do personagem foi roubada de uma das figuras mais conhecidas do Rock, Tyler um garoto pobre em um bairro pobre, se vestia em brechós e se inspirava em Mick Jagger, na maneira de andar e falar.

“Meu lema sempre foi: imite até conseguir. Se quer ser uma estrela de rock, como ensina Keith Richards, você precisa treinar seus movimentos primeiro no espelho”

Sua busca por imitar o ídolo colocou no seu caminho Joe Perry [q lembra muito Keith] e assim surgia a banda que lançou mais Hits no final dos anos 80 e inicio dos 90. Mas o caminho foi tortuoso, antes do sucesso do primeiro Disco, a banda penou muito em Boston junto com outras, o Rock estava no seu auge e todo mundo queria um pedaço do bolo.

“Éramos muito barulhentos para a maioria dos clubes e bares. Fomos expulsos do Bunratty’s Bar, em Boston, porque começamos a incorporar músicas nossas ao repertório, e os donos do clube não gostaram.”

Mas as influências de Tyler salvaram a banda da perdição, só era uma questão de tempo para a banda se encontrar e se tornar o que conhecemos hoje. [Talvez essa falta de influência que tenha estragado o novo Rock.]

“Não me tornei Steven Tyler de repente. Fui criando meu espaço, pedaço por pedaço. Steven meio que cresceu tocando em todos os clubes de Nova York, tomando ácido, andando pelo Greenwich Village, viajando e indo a eventos no Central Park. Toda essa coisa é de onde eu vim. Mais do que tudo, fui formado pelo tipo de música que eu ouvia em 1964, 65, 66. The Yardbirds, Stones, Animals, Pretty Things e seu louco baterista Viv Prince – ele era Keith Moon antes de Keith Moon se tornar o baterista louco do The Who.”

Apesar de fugir das baixarias, não pode faltar os diversos casos de internação de Tyler, até a última que quase acabou com a banda.Se você gosta do Tyler e quer saber os passos do garoto de Boston até chegar aqui, vá até as livrarias e compre o livro, prometo um post sobre o livro, mas não prometo a data, to meio emperrado com minha lista de livros.

E no final desse mês você pode ver a banda no Estádio do Morumbi.

 

Voltando com roupa nova + Clarice

Meu Blog pedia pra voltar.

 

Eu sumi! Quanto tempo sem abrir o dashboard do wordpress. Nem reconheço mais isso aqui, cheio de parafernálias [se vc é moderno pode dizer gadges] de um lado e do outro, nem sei pra que serve a metade disso, mas não estou aqui para falar do meu problema de  anacronismo.

Voltei por que senti falta de escrever, voltei também porque todo mundo me pedia pra voltar [agradeço a Taci, Raboza, Desi, Tati Felix, Debodan, Srta.Vendimiati e a Gracinha], mas antes de voltar e explicar o motivo devo desculpas a Helena Miranda e Mayara Ristow que colaboraram com a revista e me viram sumir da noite para o dia.

Falta de tempo, a vida do campo me consome muito eu levanto cedo e to indo dormir tarde por conta de outras obrigações. Sofri um bloqueio na escrita e tirei folga de tudo. Volto então a escrever. E vou tentar manter o ritmo postando na quarta e na sexta. Se tudo der certo mudo para o regime antigo.

Clarice na Cabeceira – Crônicas

No inicio do mês passado “minha querida” me emprestou um livro, não sou de pegar livro emprestado, fazia isso na época do colégio com a biblioteca, desde que eu comecei a trabalhar eu peguei gosto de comprar livros, na tentativa de formar a minha biblioteca particular.

O Livro que me foi emprestado faz parte das comemorações dos 90 anos de Clarice Lispector [Livro Publicado no ano passado]. Clarice na Cabeceira – Cronicas. Neste livro a Teresa Montero reuniu 20 artistas de diversas gerações e os convidou a escolher Crônicas da renomada escritora e compartilhar um pouco do que era Clarice.

Assim antes de cada Crônica um artista escreve um pouco da sua convivência ou mesmo de como descobriu Clarice. Esse tom de respeito [misturado com admiração] torna o livro uma bela homenagem a Clarice, ao mesmo passo que faz o leitor se sentir mais próximo da Escritora. A maioria dos “eleitos” são contemporâneos a  ela o que torna o relato muitas vezes doloroso, como é o caso de Ferreira Gullar que apresenta o conto “O caso da caneta de Ouro”.

Mesmo com essa intimidade da apresentação das Crônicas, alguns dos escolhidos fugiram um pouco da idéia da homenagear e apresentar e criaram uma atmosfera enfadonha como é o caso de Diogo Mainardi e Thalita Rebouças [mas ambos são salvos pela beleza da escrita da Clarice].

Se você estiver sem o que ler procure nas livrarias o Livro Clarice na Cabeceira – Crônicas.

Antes de Partir deixo vocês com uma das Crônicas do Livro [Uma bem gostosa de ler]

 

Das Vantagens de Ser Bobo – Clarice Lispector

 

O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: “Estou fazendo. Estou pensando.”

Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.

O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.

Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.

Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: “Até tu, Brutus?”

Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!

Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.

O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.

Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!

Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor.

E só o amor faz o bobo.

Aguardando o Novo de Philip Routh

Philip Roth meu escritor favorito

Em outubro do ano passado, o escritor Philip Routh publicou lá fora, mais um livro, Nêmeses, que encerra um ciclo composto de quatro livros: O Homem Comum [em que a nêmese é a doença e a morte - mortalidade], Indignação [a nêmese é a indignação e a guerra] e no terceiro, A Humilhação [a nêmese é a circunstância fora de controle que aflige o protagonista]. Neste romance final que tem previsão de chegada em meados de julho a Nêmese é a epidemia de pólio em 1944.

Pensando nisso resolvi reviver a memória dos leitores com a resenha do segundo livro deste ciclo: Indignação.

Em meio há livros de auto-ajuda e contos “vampirescos”, existe um escritor que se mostra ativo [e competitivo] apesar dos seus mais de meio século de vida, Philip Roth é este homem. Homem e Judeu e que novamente surpreende com outro novo livro [29º livro publicado].

3618741052_fd508decd8Muitos achavam q esse livro, seria como os últimos [O Fantasma sai de Cena, Animal Agonizante e homem comum] em que um personagem de meia idade, entra em crise existência e após flertar várias vezes com um perigo [as vezes a morte] ele acaba perdendo no final.

Este livro é totalmente diferente, em Indignação, Marcus Messner é um jovem, filho de um açougueiro Kosher [açougueiro q abate e corta sobre as regras Judaicas] que além de ser um bom filho que ajuda o pai na loja, também é um excelente aluno.

Mas tudo a sua volta começa a mudar com a aproximação da guerra da Coréia [1951], onde seu pai em um surto de paranóia começa a rastrear as pegadas do filho, que por muitas vezes está na biblioteca estudando. A perseguição é tanto q o Markie [o filho] se muda da faculdade local [em Newark, mesma cidade onde o escritor nasceu] e vai para uma mais longe, para ficar fora da paranóia do pai.

A paranóia acaba passando para o filho também, q apesar das coisas acontecerem a seu favor ele não  acredita e nem aceita sua nova realidade, até mesmo quando conhece Olivia Newton, que é um tipo de garota totalmente fora dos padrões da época.

Outro problema do nosso personagem é a chegada da guerra, que na época recrutava jovens q não estivessem na escola, ai percebemos q Markie não estuda apenas para ser mais inteligente e sim para escapar dos horrores da guerra, ou mesmo torná-la mais fácil [como ele cita, q estudaria para conseguir uma boa patente e não morrer na linha de frente].

O livro coloca dilemas da juventude de qualquer pessoa[mas não é um livro para crianças], como problemas com relacionamentos, ideais de vida e a própria resistência ao sistema [muito rígido no colégio que vai estudar].

O Livro é uma leitura maravilhosa para o final de semana, que mesmo com a riqueza de detalhes e a redação fácil de Roth, faz o livro ficar inebriante.[o vício foi grande q li em 3 dias].