Convite…5 livros para ler em 2013!

Ler…ler…comer…dormir…viver.

Recentemente fui convidado pela Dona Canela, para um meme de livros. A Dona Canela [Clique e conheça o blog], sabe que eu adoro livros, então vai minha lista dos 5 livros para ler em 2013. Eu tenho uma lista de uns 10 livros pra ler, sem contar os livros que estão parados esperando a hora certa de sair da prateleira.

Aqui vai minha listinha.

Van Gogh--The Life

Van Gogh: Este livro foi finalmente ganhou uma tradução, lançado nos meados de 2010 lá fora, e só no final do ano passado chegou por aqui. Esta bela edição de capa dura, faz um estudo da vida do pintor e suas obras. Pra quem gosta de arte é uma boa pedida. Era para ter comprado no final do ano, mas acabei deixando pra lá. Logo mais ele entra pra minha coleção.

Capa genial

Capa genial

Meu segundo livro da lista é Hitler de Ian Kershaw: O livro traça um estudo sobre o império nazista e seu criador, mostrando os acertos e os erros que levaram o fim do Nazismo. Ian Kershaw é o mais renomado estudioso deste período negro da história, além do bom texto o livro é recheado de boas imagens da época. Tentei comprar o livro na bienal do ano passado, mas além da capa estar estragada, o livro custava 10% mais.

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Demônios de Fiodor Dostoiévski (Editora 34): Faz uns cinco anos que eu quero esse livro. A história se baseia em uma tragédia ocorrida em 1869, onde um jovem é assassinado por um grupo niilista. Com base nesse fato Dostoiévski cria um clássico, quase maior que Crime e Castigo. A ideia central do livro é destruir e desmascarar as organizações idealistas e mostrar como uma pessoa que luta contra um monstro, pode se tornar um monstro maior ainda.

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Professor do Desejo do Philip Roth: O livro foi originalmente lançado em 1977 e agora teve seu relançamento, e conta a história do professor David Kepesh, personagem que já conheço de outro livro de Roth, Animal Agonizante. Quem conhece meu blog sabe o quanto eu gosto deste escritor.

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Homem no Escuro do Paul Auster: Li meu primeiro Paul Auster no ano passado [clique aqui e leia sobre] gostei muito da maneira que ele constrói seus personagens. Nesse livro seu personagem central é um crítico literário aposentado, que está de cama após sofrer um acidente. Para resolver seus problemas ele cria tramas no cair da noite para confrontar e explicar fatos de sua vida.

Agora repasso o post pra Taci, para Luane Silvestre, a Beca Rena, Vickawaii e as Cowgirls from Hell.

O malditovivant volta na quarta com novos posts.

Commando – A autobiografia de Johnny Ramone.

Um líder solitário, Johnny foi o real pai da filosofia Punk, ele criou o Ramones, o maior expoente do movimento. Mesmo sem parecer, ou mesmo demonstrar, Johnny tinha um plano que só daria certo se fosse levado com mão de ferro.

Apesar de Joey ser o Frontman da banda, quem dava as cartas era Johnny. Ele criou o estilo Ramone de ser, e também criou o uniforme da banda. Foi de Johnny a ideia de acrescentar o sobrenome Ramone em todos os integrantes, criando a família Ramones.

Johnny tinha uma meta, conseguir um milhão de dólares, e se mandar da Califórnia, apesar de ter amigos por lá, Johnny odiava tudo aquilo, o calor os inimigos, e em especial a infância pobre. Seu Pai nunca pode comprar uma casa, por conta do baixo salário ele sempre estava em busca de uma casa para alugar. Johnny não queria mais essa vida.

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O livro também aborda a vida amorosa do guitarrista com a sua mulher, Linda, que antes havia namorado Joey Ramone. A “traição” [aos olhos de Joey] provocou o corte de relações entre o vocalista e o guitarrista, mas isso, não impediu que a banda prosseguisse até 1996, mas acabou afetando muito o desempenho no palco.

Além do drama o livro é recheado de momentos engraçados, como a relação com os fãs e como não dava atenção as celebridades que sempre apareciam no camarim para conversar sobre o show.

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Leia, Commando – A autobiografia de Johnny Ramone.

Maldito vivant volta na segunda.

Primeira Leitura do ano – Cosmópolis.

“Um rato se tornou a unidade monetária”

Não sou muito de trocar presentes com meus irmãos, geralmente só compro o presente da minha mãe, do meu velho amigo e da Charmander. Nesse ano eu troquei livros com minha irmã, ela pediu o famoso “50 Tons de Cinza” e eu pedi Cosmópolis do Don DeLillo, eu e minha irmã temos gostos diferentes, seria pretensão dizer que meu livro é melhor, ou que é bem mais escrito. Não sou esse tipo de pessoa. Mas meu livro é bem melhor.
Eu nunca havia lido nada do Don DeLillo, mas já tinha lido algumas críticas do seu trabalho, mas não foi o escritor que me levou a ler Cosmópolis, e sim David Cronenberg o diretor do filme. Quem acompanha meu blog, sabe o quanto eu gosto deste diretor [clique aqui e leia sobre] a minha ideia inicial, era ler o livro e em seguida alugar o filme. Então uma semana depois das festas comecei a ler Cosmópolis.

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O livro gira em torno de Eric Parker, um exemplo clássico de profissional “Self Made Man[Homem que se faz sozinho] Parker vem de uma família pobre, consegue se formar e ao final do ano 2000 com seus 28 anos, Parker se torna o homem mais rico do mundo e uma espécie de “Guru” dos negócios. Parker tem tudo, nada que exista na terra não pode ser comprado.

Em uma manhã Eric decide cortar o cabelo, pega sua limusine que serve de base/escritório e tenta chegar ao barbeiro que fica a dez quadras de seu apartamento. Neste mesmo dia a cidade está mergulhada no Caos, o presidente está em visita na cidade, um grupo anti-capitalismo promete atacar a Times Square, e ainda existe uma ameaça anônima que a equipe de segurança não conseguiu detectar.

Parker inicia sua simples caminhada [a ida ao barbeiro] com o intuito de ver o seu fim. O fim da sua fortuna, das suas certezas e a sua individualidade [em uma passagem cheia de significado], mas tendo controle sobre tudo o que está acontecendo. Essa corrida para ver o fim é um reflexo do mundo anestesiado que ele mesmo criou, Parker precisa voltar a sentir e só perdendo tudo, ele pode voltar a se sentir vivo.

No meio da caminhada ele encontra os mais diferentes personagens [seus analistas] que querem a todo custo evitar que ele realize o seu desejo, mesmo ninguem sabendo sua real vontade. Cada analista mostra uma personalidade diferente desta nova sociedade, a mãe solteira bem sucedida [mas ainda mãe], o jovem sem amigos, o velho segurança [um homem experiente que deve se rebaixar ao mais novo], entre outras personalidades.

Dois trechos do livro:

“A chuva em seu rosto era boa, e o cheiro de azedo também era uma coisa boa e certa, mas era a ameaça da morte ao cair da noite que lhe falava de modo mais decisivo sobre algum princípio do destino que ele sempre soubera que um dia haveria de se esclarecer. Agora ele podia dar início à atividade de viver.”

“Eric fez um rolo apertado com as calças, escondendo a arma bem no meio, e largou todas as suas roupas na calçada. [...] Eram apenas figurantes numa cena de multidão, com ordem de permanecerem imóveis, mas a experiência era forte, tão total e aberta que ele mal conseguia imaginar-se fora dela [...] – Oi! Era a pessoa mais perto dele, uma mulher deitada de bruços, com um braço estendido, palma virada parar cima. Seu cabelo era ruivo ou louro arruivado. Talvez fosse acaju. O que é acaju? Uma cor castanho-avermelhada. Ou canela. O nome era mais bonito.”

Se você procura uma leitura diferente, Cosmópolis pode ser o seu livro. Eu que nunca havia lido nada do DeLillo, já coloquei outro livro do escritor na minha lista e espero que seja bem escrito como Cosmópolis.

O malditovivant, volta na quarta com muito mais.

Livro: A Verdadeira Vida de Sebastian Knight

“Nossa existência não é mais que um curto circuito de luz entre duas eternidades de escuridão”. Vladimir Nabokov

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Na última bienal do livro eu comprei dois clássicos do Nabokov: O Olho [terminei de ler antes da virada do ano] e A Verdadeira Vida de Sebastian Knight [Lido no inicio de Dezembro]  dos republicados pela editora Alfaguara só me falta o Original de Laura, que foi lançado postumamente, porém não o configuro como um verdadeiro livro de Nabokov já que foi lançado sem autorização do mesmo.

A Verdadeira Vida de Sebastian Knight foi publicado em 1941, catorze anos antes do seu mais famoso livro Lolita, de inicio o livro não chamou atenção da crítica. Hoje o livro é tido como “quase pós-moderno”, por conta da técnica empregada por Nabokov. O livro também sérvio de experimento para criar o estilo narrativo de Lolita.

Chega de enaltecer Nabokov e vamos à história: No livro seguimos os passos do indignado V. , o meio irmão de Sebastian Knight. O motivo da indignação foi a  biografia lançada pelo secretário do irmão [um dos desafetos de V.]. Sebastian era um famoso escritor de seu tempo, que chegou a produzir obras respeitadas no meio e apesar de ser russo, negava suas origens e só escrevia em Inglês [uma comparação velada do próprio Nabokov com sua carreira].

V. , não encontra traços de seus própria história no meio da biografia escrita pelo secretário, isso o deixa mais indignado ainda. Antes de Sebastian falecer, ele delegou a seu irmão mais novo a missão de queimar todos os seus segredos e cuidar de seus últimos pertences.

DSCF0010No meio de sua missão V. encontra algo que sequer devia ter lido. Os rastros de um amor de Sebastian. Isso e o desejo de sepultar essa “falsa biografia” [como o personagem mesmo diz] faz com que V. saia em disparada ao encontro do passado do irmão.

Com ajuda de trechos de livros e memórias de correspondência ele percorre os passos de seu famoso irmão e tenta a todo custo revisitar os mais importantes momentos da vida do irmão. Mas no meio dessa busca, por vezes nosso narrador se perde, entre o que realmente aconteceu e o que ele acredita que aconteceu.

V. tenta tanto vivenciar a vida de Sebastian e elucidar os seus últimos momentos que ele acaba vivendo a vida do Irmão, como no encontro de amigos [num passeio de trem a caminho da Rússia] e até se apaixonando por uma das amantes de Sebastian.

Um dos maiores trunfos do livro é a sensação literária, Nabokov tenta criar [e consegue] uma narração simples, mas passando a ideia de que estamos lendo um livro dentro de outro, o livro na verdade “seria a real” apuração da vida de Sebastian Knight e escrita pelo seu irmão V. e mesmo o livro tendo ares sérios e detetivescos o livro se torna engraçado por conta das trapalhadas do personagem central, que tenta completar os espaços em branco das memórias com teorias por vezes absurdas.

Ao mesmo tempo em que ficamos interessados pela vida de Sebastian e seus livros. Em especial quando o irmão mostra de onde ele tirou as inspirações para as temáticas dos livros. A Verdadeira Vida de Sebastian Knight é um livro que merece ser lido e que mostra todo o potencial e genialidade de Nabokov.

Trecho do livro:

“Mas o herói permanece, pois, por mais que eu tente, não consigo sair doe meu papel: A máscara de Sebastian prega-se ao meu rosto, a semelhança não se desmancha. Eu sou Sebastian, ou Sebastian é eu, ou talvez nós dois sejamos alguém que nenhum de nós conhece.”

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O malditovivant volta na segunda com mais novidades.

Releitura do ano: O Grande Gatsby

“Precisamos decidir como podemos ser valiosos, em vez de pensar em quão valiosos somos.” Scott Fitzgerald.

 

Post Publicado originalmente em 19 de Janeiro de 2011

 

As festas de final de ano haviam chegado, minha busca por um presente para minha mãe me levou a um encontro casual com um livro. [Sim este livro é um personagem dotado de vida, pq ele me escolheu.]

Havia acabado de entrar no Sebo, quando menos espero um livro cai , quando levanto a sua capa branca, leio as letras douradas o nome de F.Scott Fitzgerald, aquela era sua Magnus Opus: O Grande Gatsby.

Comprei o livro por uma bagatela de 4 mangos. Passou a semana do Natal, começou a semana do Ano Novo e eu inicie a leitura. Fazia alguns anos que eu tinha vontade de ler algo do Fitzgerald e nada melhor do que um encontro casual.

Sinopse: Nick Carraway, um jovem comerciante de Midwest, fica amigo de seu vizinho Jay Gatsby, um milionário conhecido pelas festas animadas que dava na sua mansão em Long Island. A fortuna de Gatsby é motivo de rumores; nenhum dos convidados que Nick conhece na festa de Gatsby sabe muito bem sobre o passado do anfitrião.

Gatsby é famoso pelas festas, realizadas na sua mansão em West Egg. Todos os sábados, centenas de pessoas dirigem-se à casa de Gatsby para as alegres festas. Nick em seguida já se encontra na cena das festas, embora ele afirme que despreza inteiramente entretenimentos sem cultura. Mais tarde, Nick descobre que o milionário só mantinha estas festas na esperança que Daisy, seu antigo amor, fosse a uma delas por acaso.  Enquanto isso, Nick e Jordan começam um relacionamento, que Nick já prediz que será apenas superficial.

Fitzgerald nesse livro constrói de maneira exemplar uma critica direta ao modo de vida dos americanos no pós-guerra. Esse era o momento em que a sociedade de consumo estava se formando e dentro dele o famoso lema “American Way” estava se tornando a nova ideologia da sociedade.

Fitzgerald fazia parte dessa sociedade e tendo criado Nick [narrador] baseado em sua vivencia. Nick é um amante da sociedade e venera o modo de vida das pessoas a sua volta, mas mesmo assim ele reconhece todos os defeitos dessa sociedade que está sempre apegada aos bens matérias.

Quando ele conhece seu vizinho ele passa a ter uma idéia um pouco diferente da sociedade boemia e chega a fazer parte, pq ele sente que no fundo os mistérios de Gatsby o tornam um homem comum assim como ele [Nick].

Se isto era verdade, ele deve ter sentido que perdera  aquele seu cálido e antigo mundo, pago um preço demasiado alto por haver vivido com um único sonho. Deve ter fitado, através das folhas assustadoras um céu desconhecido – e sentindo um arrepio, ao verificar quão grotesca é uma rosa, e de que maneira crua cria a luz do sol sobre a relva que acabara de brotar. Um mundo novo, material, mas, não obstante, irreal, onde pobres fantasmas, a respirar sonhos, como se estes fossem o próprio ar, pairavam, fortuitamente, em torno…como aquela figura fantástica, cinérea, que deslizava em sua direção por entre as árvores amorfas.

Malditovivant volta na sexta com novas dicas.

Paul Auster e seu conto de uma Nação Anestesiada [Sunset Park]

Um presente de coração.

Na semana do meu aniversário ganhei do meu grande amigo  o até então mais novo livro de Paul Auster, Sunset Park. Anos antes eu havia presenteado ele com livro do autor, e eu mesmo não tinha lido nada dele [essa foi uma das razões para ganhar o livro], antes de começar a ler meu amigo fez um discurso emocionado falando da grandiosidade do escritor e chegou a comparar com Philip Routh [outro escritor que temos em comum].

Na semana seguinte comecei a ler, gostei tanto do livro que o devorei em uma semana, logo depois engatei o livro Serena [clique aqui e leia sobre]. E devo confessar, Paul Auster é um grande escritor e merece a atenção de todos.

Sunset Park se passa nos Estados Unidos entre 2008 e 2009 [logo após a grade crise] seu personagem principal é Miles Heller um jovem que tinha um futuro promissor, mas a morte do irmão e o sentimento de culpa, o fez fugir de tudo [família, amigos e faculdade]. Miles passou a  viver como nômade durante vários anos, nunca criando laços com ninguém, sempre trabalhando nas coisas mais inusitadas.

Na Califórnia ele conhece a jovem Pilar [a personagem que serve como esperança em sua vida] o romance transcorre normalmente até uma das irmãs de Pilar começar a chantagear Miles. Pilar ainda está no colegial [ele precisa esperar ela completar a maioridade]. Por conta disso Miles resolve aceitar a proposta do seu único amigo da época da Faculdade que ainda tem contato, Bing Nathan.

Bing é um idealista, que montou uma comuna em uma das casas desapropriadas no centro de Nova York, Miles vai se juntar a mais duas pessoas que ele nunca viu na vida. Alice uma garota que está prestes a concluir o seu mestrado em cinema. Ellen uma jovem atormentada que perdeu o rumo da vida, que está entre ser corretora e viver do sonho de ser artista.

Mas voltar para Nova York também é reencontrar todo o passado que Miles deixou para trás, principalmente seu pai Moris Heller, dono a Heller Books, empresa que vive uma crise por conta dessa nova sociedade que não lê, ou como ele mesmo coloca: “uma sociedade que cultiva a ignorância”.

Apesar da grande quantidade de personagens a trama é muito bem amarrada e mostra um pouco dessa nova fase do escritor, uma fase mais pessimista, sem acreditar em um futuro tão brilhante que a sua geração idealizou. Isso reflete nos seus personagens, onde nenhum deles é feliz, por mais que eles lutem a felicidade se torna inalcançável. Outro sentimento forte presente em todos os seus personagens é a fuga.

Seus personagens também fazem parte do retrato desta “Nova América” de Obama, um povo que se enfeitiçou por um discurso de mudança, mas que não saiu do lugar e continua paralisada por uma profunda crise econômica e moral.

Agora vá para a livraria e procure Sunset Park do Paul Auster.

O malditovivant volta na quarta com um post novo…

Philip Roth e o fim da sua tetralogia [Nêmesis]

“Ele perdera a magia” o Inicio do livro Humilhação do Philip Roth

O pessoal que tem o costume de acessar o meu blog, sabe que eu tenho uma admiração pelo escritor americano Philip Roth, se você der uma volta pelas “tag” de livros, vai achar bastante coisa sobre os seus livros. O escritor é tido como o último grande escritor americano, por estar perto dos seus 75 anos a morte virou um tema recorrente em seus livros, como ele certa vez disse: “Passo mais tempo em enterros do que em festas, minha geração está morrendo”.

Nêmesis faz parte de uma tetralogia [não oficial] que começou em Homem Comum, meu livro favorito e que nunca consegui escrever sobre, gostar muito de uma coisa as vezes torna o post tendencioso. Apesar de estar fazendo o post hoje [quase um ano após o livro ser lançado no Brasi] eu já o tenho a um bom tempo, comprei uma semana depois que ele chegou às lojas, eu estava muito empolgado pra terminar essa saga.

Mas não consegui ler, o livro fala de um relacionamento e de responsabilidades, na época meu relacionamento estava aos cacos e minha responsabilidade não era das maiores. Ai a cada página que eu lia, meu peito apertava um pouco mais. Então eu o coloquei de volta na estante. Em Fevereiro eu reiniciei a sua leitura, tudo havia se normalizado.

O Livro se passa em Newark em Nova Jersey  [berço do escritor e plano de fundo de muitos dos seus livros], no ano verão de 1944, nosso personagem principal é Bucky Cantor, de 23 anos, que vivia com a avó na parte pobre do bairro judeu da cidade. Sendo míope,  usava óculos de lentes grossas [isso o afastou da guerra]. Longe do campo de batalha, Bucky trabalhava na escola do bairro e era fiscal do pátio de recreio durante as férias de verão. Sem saber Bucky enfrentaria junto com suas crianças uma batalha contra a Pólio.

O inicio da queda de Bucky viria com a morte de Alan Michaels, o garoto de que ele mais gostava morreu, tudo piorou quando informado de outras mortes e de mais casos de crianças infectadas. Bucky era admirado pelos garotos do pátio, muito honesto e responsável. Ele fora criado pelos avós maternos [sua mãe morreu no parto e seu pai um ladrão] O avô, um judeu que viera sozinho da Polônia para os Estados Unidos, era um homem bastante rígido, que o ensinara “a se afirmar como homem e como judeu” [um dos temas recorrentes dos livros de Roth].

Bucky se sente totalmente responsável pelas mortes, um peso muito grande para um garoto de 23 anos, esse peso em parte vem das frustrações de seu problema de visão e a baixa estatura, que o impediu de lutar na guerra, mas Bucky tem um amor a zelar, seu amor se chama Marcia, ela também ajuda na comunidade.

Por sorte Marcia o convida para trabalhar em uma colônia de férias, um paraíso onde até o momento, está livre da Pólio, mas antes de aceitar Bucky precisa lutar com seus dilemas morais de abandonar os seus alunos.

Não vou entregar mais sobre o livro, que tem uma reviravolta e um final muito bem escrito.

Essa foi minha dica para o feriado…o malditovivant, volta no segunda com mais posts…

Um Mosaico de personagens “bizzarros” isso é São Diabo

“Lolita, luz da minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo o céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li.Ta.” Nabokov

 [Rodada dupla de post, antes do Livro, nota sobre as oitavas de Final do Us.Open]

Em 2010, fiquei intrigado com a “orelha do livro” São Diabo, coloquei o livro na minha lista de aquisições daquele ano, o ano de 2010 passou e eu não comprei o livro. No final de 2011 tive um acesso de raiva e comprei vários livros, por sorte me lembrei de São Diabo, li a metade dos livros comprados, mas  reneguei São Diabo por um tempo ate que no inicio desse ano ele me veio à mão.

Bela capa de São Diabo

São Diabo conta a história da pequena Santa Cruz [cidade da Bolívia] uma cidade esquecida, mas repleta de personagens “Bizzarros[Uso com dois Zs com licença poética], para guiar e contar melhor sobre a cidade temos dois personagens principais, Luciano Salvatierra e Osvaldo Bazan [conhecido como Orelhão] os dois são grandes amigos da época da escola, Luciano é um garanhão, foi a guerra do Paraguai em busca de fama e glória, voltou com uma bala no peito, a sorte dessa bala evitou que fosse morto como todos do seu batalhão, voltou para Santa Cruz como Herói, se casou com Juana que na época tinha apenas 14 anos, agora velho e cheio de netos, Luciano ainda não esqueceu os tempos de glória e vive atrás de uma enteada de sua mulher Anita que tem apenas 16 anos.

Osvaldo Bazan, motivo de chacota por todos da pequena Santa Cruz, o pobre garoto filho mais novo e único sobrevivente de uma tragédia famíliar, as duas irmãs mais velhas de Bazan vieram a óbito de forma misteriosa, ambas morreram dormindo deixando uma dor imensa em dona Zoraide a eterna mãe enlutada, como forma de honrar seus mortos, guarda embaixo da cama os corpos de suas filhas e de seu finado marido, que morreu de desgosto após perdas suas belas filhas.

Zoraide a mais velha cidadã de Santa Cruz, se preocupa com o futuro de seu filho e tenta a todo custo lhe arrumar uma boa pretendente, mas Osvaldo Bazan tem orelhas grandes e modos de um homem velho, sempre tentando galantear e nunca conseguindo bom resultado.

Mas não são apenas essas histórias que circulam  pelo imaginário da pequena Santa Cruz, Luciana uma empregada dos Salvatierra que sonha em reencontrar o amante que tinha “cheiro de boi”. Roseando um  garanhão que gostava de se meter na cama errada. Lucrecia Mondragon, que fora deixada no altar e que depois disso se tornou uma das mais desejadas mulheres de Santa Cruz, entre outros personagens.

São Diabo que foi escrito por Manfredo kempff  criou um livro muito gostoso de ler, onde por meio das histórias, somos transportados para essa pequena cidade, onde o passado e o presente dos personagens se encaixa com uma naturalidade pouco vista na literatura.

O livro também retrata um pouco da cultura do homem do campo boliviano, com seus homens machões e suas mulheres poderosas, nesse mundo criado que contrasta entre o fantástico e o Real.

São Diabo é uma boa leitura, aproveite.

Não Pode Faltar Na Sua Estante [Cinema]: Quentin Tarantino

“Sempre pensei que o cinema foi inventado para mostrar gente se matando e se beijando.” Tarantino

Chegou no inicio do mês, mais um livro que não pode faltar na sua estante. Quentin Tarantino, o polêmico [e agora amado] diretor de Hollywood, ganhou um guia de seus filmes. O livro serve como guia na carreira do diretor, passando pelos seus tempos nada gloriosos como ator [sim ele fez alguns] e mostrando sua entrada no mundo como roteirista e diretor.

O Livro chegou ao Brasil na hora certa, porque já faz 20 anos que Cães de Aluguel [primeiro sucesso do diretor] chegou aos cinemas do mundo todo, quem conta sobre a trajetória do diretor é o famoso Paul A. Woods um perito em cinema que recentemente escreveu um livro sobre outra lenda do cinema moderno: Tim Burton [O estranho Mundo de Tim Burton]. Woods vasculhou todo o passado do diretor, além de resgatar todas as críticas dos principais jornais da época.

Por meio dessas críticas vemos como o diretor foi ganhando mais espaço na mídia e ganhando crédito com os críticos e criando uma legião de fãs, para se ter uma ideia, em 1992 o diretor esteve em São Paulo para divulgar o filme Cães de Aluguel, o filme fez sucesso por aqui, mas a maioria dos meios de comunicação não deu bola para o diretor, fazendo sua passagem pelo Brasil passar em branco.

As críticas publicadas, não servem só como termômetro de popularidade, ela serve para mostrar como a violência que esteve sempre presente em seus filmes era recebida pelo público, como no caso da famosa cena de tortura em “Cães de Aluguel” [1992] à elevação da “mesma violência” a um nível Cult na homenagem a filmes de artes marciais em “Kill Bill – Volume 1” [onze anos depois].

Outra grande sacada do livro são os comentários do diretor sobre seus filmes, os comentários são retirados de entrevistas. Como a declaração de Tarantino sobre Pulp Fiction:

“As pessoas me perguntam de onde tirei a história da overdose: o resumo é que cada junkie, ou pessoa que experimentou heroína para valer, tem uma versão dessa história – eles quase morreram, outra pessoa quase morreu e eles a trouxeram de volta com água salgada ou a colocaram numa banheira, ou a fizeram saltar com uma bateria de carro”

O livro é muito legal para quem gosta de cinema ou apenas do Diretor, o livro que chega por aqui pela editora Leya [Clube da Luta e Drive] infelizmente a editora não fez um bom trabalho com a edição, por ser um livro sobre cinema ele merecia um tratamento gráfico bem melhor.

 

Quentin Tarantino

Autor: Paul A. Woods

Editora: Leya

Páginas: 384

Por volta de 44,00 Reais

Voltamos na Sexta com muito mais…

Bienal do livro 2012 [Eu fui !!!]

Não vá de sapato pra feira…

Falei tanto da Bienal do livro desse ano, aqui está o post final sobre o evento. Pode ter alguns desdobramentos, mas isso fica como uma possibilidade não uma certeza. Aproveitei a quinta coloquei a coragem  e a camisa certa e fui pra Bienal, me surpreendi. Achei que o primeiro dia estaria lotado, pra minha sorte estava tudo bem tranquilo.

Para esse ano o sistema de transporte foi reforçado [mais ônibus saindo dos terminais], assim você não precisa ficar preocupado nem com a ida e nem com a volta pra casa. A bilheteria foi ampliada também, agora com a disponibilidade de comprar o ingresso via internet, mas não é para tanto, além de pagar uma taxa de conveniência pelo serviço, você ainda deve retirar seu ingresso na bilheteria [+ fila].

Burocracia para entrar…

A feira continua igual as outras edições, cada editora tem seu estande, sem contar os estandes multimarcas. Como em outras edições as editoras não estão trabalhando com bons descontos [Uma ressalva para a Larrouse e a Objetiva do Grupo Santilhana], o resto das editoras estão trabalhando com os valores praticados pelas livrarias. Alguns Estandes estão dando desconto ou brinde, mas em compras acima de 150 reais.

Talvez o pulo do gato dessa Bienal são os Estandes Multimarcas, como a São Marcos e a Queen Books, onde você consegue encontrar os mesmo títulos badalados das editoras, por um preço diferenciado. Vamos fazer duas comparações. Na São Marcos eu achei um Guia de Cinema da Larrouse por 35 reais, na editora esse livro sai por 99 reais. A Parisiense na Queen Books custa 43 reais, no estande da Edita ele sai por 49,90.

Multimarcas...

O que compensa mesmo em comprar na editora é a facilidade de achar algum livro que já está fora do catalogo. Nesse jogo quem ama pocketbooks vai ficar fascinado com o estande da L&PM, em conversa com uma das diretoras ela me informou que a feira recebeu  90% dos títulos da Editora, o mesmo acontece com a Editora Objetiva [Grupo Santilhana] que traz o selo Alfaguara e local onde mais dava desconto em toda a feira.

Linha de Filosofia da L&PM

Todos os livros da Alfaguara já estavam com 25% de desconto, outros títulos com 50% de desconto. Uma farra para quem gosta de gastar com livros. Entre os escritores do selo Alfaguara estão Mario Vargas Llosa, Mario Benedetti e Nabokov. Comprei o novo lançamento da editora o livro do Mario Benedetti – A borra do café.

As outras editoras vieram mais com a ideia de expor suas novidades, como a editora 34 que faz um trabalho excepcional com a tradução de Fausto [Goeth] a obra foi dividida em dois tomos em edição bilíngue [Alemão-Português] e uma edição única em Português.

A bienal também se destaca pelos seus peixes menores. O Estando do Educando com Poesia, com literatura de cordel. A curiosa fanfic de D4mon3 que conta uma nova saga da turma do antigo desenho Caverna do Dragão. E a Belo Belo, uma literatura de conscientização voltada para crianças, livros feitos com capricho, mostrando que ser pequeno não é sinal de fragilidade.

Cordel

Gostei bastante dessa edição [acabei voltando no sábado também] deixei um pedaço da minha carteira, mas voltei feliz para casa, fiquei chateado só não ter conseguido comprar um dicionário que estava em promoção, mas a sacola já pesava demais.

Se for a essa bienal, se arme de disposição e boa lábia, nos estandes menores é fácil negociar o valor. Evite o final de semana e boas compras. E fique longe do estande da Companhia das Letras [Preço alto e atendimento ruim]

22ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Quando:
de 9 a 19 de Agosto de 2012
Onde: Pavilhão de Exposições do Anhembi (Av. Olavo Fontoura, 1.209, Santana).
Horário de visitação: das 10h às 22h (até 18 de agosto); das 10h às 20h, com entrada até as 18h (dia 19 de agosto).
Ingressos: R$ 12 (com meia-entrada)

Até quarta com mais novidades…