A volta de um ícone e o renascimento de um ator.
Na segunda passada, quebrei algumas convenções e fui ao cinema. Fazia tempo que eu não dedicava uma parte do meu tempo a tela grande. Meu melhor ano de cinema foi em 2010, eu vi um filme por semana. Voltar a velha forma é quase impossível, primeiro por conta do tempo, segundo a quantidade de filmes dublados triplicou. Eu não vou ao cinema pra ver filme dublado.
Mas quero aqui falar de Killer Joe, uma das injustiças do Oscar. Killer Joe não foi nem citado no Oscar. Matthew McConaughey está fantástico como o assassino divertido e violento Joe, uma das suas melhores transformações. Não sei o que tem acontecido com o ator, mas ele largou aquela ideia de fazer filmes bobos com o mesmo final e investiu em bons filmes. Poder e a Lei foi um deles.
Killer Joe é dirigido pelo grande diretor William Friedkin [Se você não conhece este nome, pode parar tudo], pra quem não sabe ou não se lembra, ele dirigiu quatro clássicos: Operação França’ [1971], “O Exorcista” [1973], “Parceiros da Noite” [1980]e “Viver e Morrer em Los Angeles” [1985]. Se você não viu nenhum destes filmes, você precisa rever seus conceitos de filmes.
Para este filme o diretor se apoia na peça escrita por Tracy Letts, que conta a história de uma família desajustada, onde Chris [mais uma boa atuação de Emile Hirsch] se vê em uma encruzilhada, quando sua mãe vende a sua cocaína e chefe do tráfico vem cobrar os três mil dólares. A única maneira de continuar vivo é matar a própria mãe e receber o valor do seguro. Chris conta com a ajuda do pai e com a madrasta [outra boa atuação de Gina Gershon], claro que cada um vai receber uma parte.
Mas Chris não pode matar a própria mãe. Então ele contrata Killer Joe [Matthew McConaughey] um policial corrupto que tem seu preço, 25 mil dólares, porém Chris depende da morte da mãe para pagar Joe, para compensar a demora Joe pede a irmã mais nova de Chris, Dottie [Juno Temple, guarde esse nome] como calção.
Então a história se torna uma comédia de erros, construída com os personagens mais grotescos que o cinema já viu. Chris tenta virar o guardião da virgindade da irmã, ao mesmo tempo que Joe se mostra o salvador do mundo doentio de Dottie. A cena final rodada na cozinha é memorável. Sem contar a bela fotografia das cenas de tempestade, que anuncia o caos que vem pela frente.
Killer Joe é forte [e muito melhor que qualquer filme do Tarantino], e vai na contramão dos filmes lançados por Hollywood nos dias de hoje, tanto que quase não chegou aos cinemas. Temos sorte de ter a chance de acompanhar Killer Joe na tela grande [ainda mais no Brasil].
Se puder vá ao cinema e veja Killer Joe.
O malditovivant volta na sexta.



