Reporter convidado para falar sobre o grande show do Kiss
[Antes Surpresas de Monte Carlo]
Por Humberto Domiciano
Apesar do título pouco original, é muito complicado escrever sobre o Kiss sem lançar mão de clichês ou de chavões. Não que a banda faça questão se fugir desse estereótipo, é que o Kiss é o Kiss unicamente por isso. Tocam rock de maneira visceral, exageram no visual e nas histórias que contam.
Nariz de cera a parte, vamos ao que interessa. O grupo americano passou por São Paulo no dia 8 de abril e desfilou, por mais de 2 horas, clássicos de seus primeiros álbuns e todas aquelas músicas indispensáveis em um show da banda.
No momento em que as caixas de som tocavam “Won’t Get Fooled Again”, do The Who, a expectativa pelo começo da apresentação era grande. Ao final da música, as luzes se apagam, o pano com a inscrição KISS desce até fogos explodirem e os primeiros acordes de “Deuce” tomarem espaço. Desde o começo do show, o guitarrista Tommy Thayer chamou a atenção. Não só pela vestimenta idêntica a de Ace Frehley, mas principalmente pela técnica exibida.
Choque inicial passado chegou a hora de avaliar a banda. Gene Simmons, com seu baixo bem afinado, fez vocais muito bem, mostrando que a idade ainda não chegou. Depois temos Eric Singer. Quem conhece hard rock, sabe que Singer é um dos grandes bateristas que surgiram nos últimos 25 anos. Tocou com Black Sabbath, Badlands, Alice Cooper, entre outras bandas.
Por fim temos Paul Stanley. Tenho medo de cometer injustiças, já que o microfone falhou algumas vezes. Mas se teve um integrante que não mostrou tudo o que pode fazer musicalmente, esse foi Stanley. Não acho que tenha comprometido a apresentação, mas com certeza deixou um pouco a desejar.
Tirando esse porém, a apresentação foi muito boa. “Strutter”, “Got to Choose”, esta com um pequeno solo de Ace, digo, Tommy Thayer, “Hotter than Hell” formaram uma boa seqüência de sons na primeira parte.

Ace o melhor guitarhero do Kiss
Com o público nas mãos desde o início, o Kiss continuou sua grande metralhadora de clássicos. Indo de “Nothin’ to Lose” até “Rock and Roll All Nite”, passando por “Parasite”, “C’mon and Love Me”, “Cold Gin” e “Black Diamond”. O fechamento da apresentação, com papel picado durante “Rock and Roll…” só preparou a todos para um final realmente matador.
O chamado ‘bis’ começou com “Shout it Out Loud”, tendo Stanley com a bandeira do Brasil, emendou “Lick it Up”, a primeira dos anos 80 e chegou a um ponto fundamental do show: o solo de Simmons cuspindo sangue. Passado o espetáculo, que teve o baixista ‘voando’ até uma base no alto do palco, tem início a uma das melhores músicas de shows em geral. “I Love it Loud”, outra dos anos 80, foi cantada com muita força pelo público.
Com o êxtase instalado, Stanley viajou pelo público até um mini palco instalado entre a pista normal e a pista VIP. De lá, o vocalista cantou “Love Gun” e fez uma viagem de volta para fechar com “Detroit Rock City“, que dispensa maiores apresentações.
Ao final, um pouco mais do fogos de artifício e o inevitável gostinho de quero mais. O ano de 2009 promete ser bom para quem gosta de Kiss, já que além do show, em setembro devemos ter o primeiro disco de inéditas da atual formação.
